É puro ouro! Saudável e com apelo comercial, mel orgânico é aposta no Norte de Minas

Atividade ainda pouco estruturada no Brasil – 12º no ranking de produção mundial –, a apicultura vem ganhando espaço no Norte de Minas. Indiferente às condições climáticas desfavoráveis a outras culturas, cresceu mais de 20 vezes nos últimos dez anos, tornando-se fonte de renda para 95% dos agricultores familiares da região.

Coordenadora estadual de Pequenos Animais da Emater-MG, Márcia Portugal explica que o diferencial da produção no Estado está no fato de ser orgânica, dispensando o uso de pesticidas e de outras substâncias químicas empregadas no controle de doenças. “O clima é favorável e a florada silvestre é muito abundante. É um mel puro e que tem grande apelo comercial dentro e fora do país”, justifica, lembrando que na Argentina e Uruguai, por exemplo, são utilizados antibióticos.

Além de produzir o suficiente para abastecer o mercado interno, o Brasil ainda exporta a maior parte do mel que fabrica. Dentre os principais importadores estão Estados Unidos, Alemanha, Japão e Coreia do Sul, nesta ordem. Em território nacional, Minas Gerais ocupa o quarto lugar em produção, sendo os municípios do Norte os mais representativos.

“A apicultura já foi uma atividade secundária, mas acabou se tornando a principal devido às condições climáticas das regiões Norte e Jequitinhonha. O crescimento das cooperativas também fortaleceu a cadeia, principalmente na agricultura familiar”, diz a representante da Emater-MG.

As cidades mineiras que mais contribuem com a produção do Estado são Itamarandiba (680 toneladas/ano), Itapecerica (450 toneladas/ano), Campos Gerais (262 toneladas/ano), Andrelândia (240 toneladas/ano) e Bocaiuva (153 toneladas/ano), conforme o levantamento mais recente, realizado no ano passado. Somente Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia superaram o volume de mel produzido em território mineiro, ocupando as três primeiras posições do ranking, respectivamente.

98% dos apicultores do estado utilizam abelhas do gênero apis melífera, cuja origem é europeia

 

Vegetação nativa

Presidente da Federação Mineira de Apicultura (Femap), Cézar Ramos Júnior explica que a atividade também encontra terreno fértil na vegetação nativa do Norte de Minas. “As lavouras de eucalipto, que são enormes, produzem muita flor, matéria-prima utilizada pelas abelhas na produção de mel. Por esse motivo, inclusive, é que não é necessária a aplicação de agrotóxicos nem de outras substâncias químicas”, enfatiza o presidente da Femap.

Apicultor há 32 anos, ele lembra que a atividade ganhou força no Brasil no início dos anos 2000, quando deixou de ser hobby e ganhou status comercial. Em Minas, a produção anual estimada de mel é de 8 mil toneladas. O produto responde por 40% da renda de quem aposta na cadeia apícola, uma das principais do Norte de Minas, responsável por cerca de 42 mil empregos diretos no Estado. Ao todo, são mais de 250 mil colmeias em atividade.

“Ainda é uma cadeia em processo de organização, cujas atividades não estão tão claras. De toda forma, esperamos um apoio maior do governo neste sentido. Nosso potencial de flora é extremamente favorável e nossa expectativa é de que aconteça o mesmo que ocorreu com leite e carne, por exemplo”, afirma Cézar Ramos Júnior.

2 quilos é a quantidade média de própolis verde obtida por colmeia; produto garante 50% da renda dos apicultores mineiros
Além disso:

Mais escuro que o tradicional, o mel de aroeira é outra pérola do Norte de Minas. Elaborado por abelhas que retiram os recursos de um tipo da árvore encontrado na região, o produto apresenta características medicinais, é usado como bactericida e corresponde a 30% da florada local, segundo o presidente da Cooperativa de Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), Luciano Fernandes de Souza. Pesquisa recente realizada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) comprovou os benefícios da matéria-prima para combater doenças de pele e infecções gastrointestinais e do trato urinário.

No dia a dia, a sugestão é acrescentar o produto – seja ele derivado da aroeira ou de outros tipos de plantas – como substituto do açúcar convencional, refinado e, portanto, menos saudável. “Pesquisas mostram que o produto possui minerais e antioxidantes, importantes para a nossa saúde. Mas é bom lembrar, sempre, que embora seja benéfico, o mel continua sendo fonte de carboidrato”, explica a nutricionista Natália de Carvalho Teixeira, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade K

Fonte:Hoje em Dia por Patrícia Santos Dumont em 16/06/2019


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