Produção agroecológica se expande

Produção agroecológica se expande nos municípios do Médio Oeste

MÁRCIO MORAIS
De Campo Grande

Médio Oeste - O aumento nos investimentos voltados à agricultura familiar do interior do Nordeste brasileiro vem despertando a atenção dos agricultores familiares para as instituições promotoras do desenvolvimento regional, como os órgãos de cooperação internacional e o Projeto Dom Hélder Câmara, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que estão observando a diversificação e o crescimento de novas cadeias produtivas. Um exemplo recente é o caso do plantio de hortaliças e fruteiras orgânicas em vários municípios da região do Médio Oeste.

No território denominado de Sertão do Apodi, que abrange cerca de 20 municípios da região, o Projeto Dom Hélder Câmara/SDT/MDA, em apenas 16 áreas de assentamento e comunidades rurais pertencentes a 6 municípios que estão incluídos na área de abrangência do Projeto Dom Hélder no Alto Sertão Apodiense, o especialista em Irrigação e agrônomo Caramuru Paiva mapeou 231 agricultores que extraem suas rendas familiares a partir de 55,75 hectares de terras totais irrigadas que são destinadas ao cultivo de hortaliças como alface, coentro, cebolinha, tomate, pimentão e fruteiras como maracujá, mamão, goiaba e banana.

Os resultados têm sido bastante satisfatórios para as famílias envolvidas nessas atividades, considerando os aspectos ambientais, a questão de segurança alimentar e a geração de ocupação e renda no perímetro rural. No que se refere ao meio ambiente, o plantio sem o uso de agrotóxicos apresenta um custo de produção mais barato, reduz os impactos na diversidade florística e não agride a saúde humana.

Segundo o coordenador do projeto Dom Hélder, Caramuru Paiva, a segurança alimentar fica assegurada a partir do momento que as famílias passam a ter acesso às frutas e hortaliças frescas incorporando, nas suas rotinas diárias de alimentação, o consumo desses vegetais que antes ficavam fora do cardápio. Entretanto, o que mais tem surpreendido são as facilidades de venda da produção e a boa rentabilidade deixada para as famílias de agricultores familiares.

As famílias têm comercializado a produção das hortaliças dentro das próprias comunidades, nos espaços agroecológicos que vêm sendo estimulados, nas feiras livres municipais das cidades da região do Médio Oeste, e através de entrega em domicílio. A grande novidade tem sido a venda para o consumo na merenda escolar, através do Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal que, no estado do Rio Grande do Norte, é coordenado pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (EMATER) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). A renda das famílias envolvidas tem variado de 0,5 salário mínimo até 10 salários.

Família Gondim em Campo Grande serve de exemplo

Campo Grande - Na comunidade rural Campo de Aviação, localizada no município oestano de Campo Grande, quem passa pelo local percebe uma excelente área na margem do Rio Upanema, cuja potencialidade do solo de aluvião e a disponibilidade de água começam a transformar a vida de três famílias de agricultores.

Com um investimento do Programa de Desenvolvimento Solidário e a assessoria técnica da ONG Sertão Verde, através do Projeto Dom Hélder Câmara, foi possível implantar uma área de cultivo de hortaliças e fruteiras irrigadas, que é conduzida por um grupo de agricultores formado por José Gondim, os filhos Derocy e Neto, e as noras Eliane Gondim e Cinete Silva. Lá eles estão plantando as culturas da banana (0,5 ha) e mamão (0,5 ha) intercaladas por canteiros de hortaliças como alface, cebolinha, tomate, maxixe, quiabo e pimentão.

O grupo começou vendendo a produção numa escola da rede municipal de ensino, em seguida estendeu suas vendas para uma relação de 20 compradores e agora está abastecendo todas as escolas existentes no município através da comercialização dos produtos para o Governo Federal através do Programa de Aquisição de alimentos que no município é coordenado pela Emater/Governo do Estado. "Estamos prevendo que quando a gente conseguir estabilizar a produção vamos tirar daí uns 10 salários mínimos", estima José Neto.

Experiências similares às da família Gondim podem ser vistas em Upanema, nos assentados de Palheiros III e Lagoa Vermelha, que vendem na feira livre da cidade; em Felipe Guerra com as mulheres da comunidade Brejo que estão fornecendo hortaliças para a merenda escolar; em Apodi, com o grupo de mulheres do Sítio do Góes que distribuem seus produtos para a rede de compras Xique-xique; e em Umarizal com os assentados de Remédio com a consolidada feira agroecológica da AAOEV.

Fonte: Jornal De Fato - 26/10/06


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