MDA financia tecnologia para geração de biodiesel

O biodiesel poderá se tornar uma fonte de renda alternativa para agricultores familiares e assentados da reforma agrária a partir do próximo semestre. A Universidade de Brasília (UnB) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) concluem, até a metade do ano, uma tecnologia de geração de diesel vegetal de pequena escala. A iniciativa tem a frente o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que está investindo R$ 250 mil no projeto. Esses recursos possibilitaram a retomada dos trabalhos, que estavam paralisados há cerca de um ano exatamente por falta de verbas.

O empreendimento prevê a elaboração de um equipamento modelo, ao custo médio de R$ 10 mil a unidade, capaz de produzir cerca de 500 litros/dia de biodiesel. A máquina, que será reproduzida de acordo com a demanda, poderá processar girassol, soja e dendê. Uma unidade de testes já foi instalada na Embrapa e outra deve entrar em funcionamento em abril, na UnB. Seis doutores das duas instituições trabalham no projeto e ficarão responsáveis por avaliar a qualidade e o rendimento do produto. Também atuam estagiários da graduação, mestrado e doutorado do Instituto de Química da UnB.

Os agricultores familiares poderão adquirir o equipamento por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Também está prevista capacitação e assistência técnica específica. A tecnologia permite a redução dos custos com a substituição (parcial ou total) do diesel convencional pelos agricultores. O MDA estuda quais regiões deverão receber as primeiros peças.

O uso do biodiesel não se restringe aos motores de caminhões e tratores, por exemplo, mas também é viável para a geração de energia elétrica. Outra grande vantagem é que o resíduo resultante do esmagamento das oleaginosas serve como ração animal e adubo para a lavoura. Além do ganho econômico, a diminuição dos níveis de poluição ambiental é uma das principais promessas do diesel vegetal. O diesel é o combustível que mais contribui com o efeito estufa, que gera o aquecimento do globo terrestre.

Técnicos do Ministério do Desenvolvimento Agrário estão se reunido com movimentos sociais e entidades de todas as regiões para tratar do assunto e divulgar as vantagens do biodiesel. Devido ao extenso território tropical, o Brasil é uma das nações com maior potencial de produção de energia renovável. Para o gerente de projetos da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA, Arnoldo de Campos, as regiões onde o solo está mais exposto ao sol são as mais propícias, como o semi-árido.

“Se a agricultura familiar participar desse processo, imaginamos que, num cenário modesto, geraríamos cerca de 270 mil empregos diretos na agricultura familiar ou nos assentamentos da reforma agrária”, projetou. Ele lembrou que a demanda pelo produto tende a crescer muito num curto prazo de tempo. A União Européia, por exemplo, aprovou a obrigatoriedade, a partir de 2005, da adição de 5% do biodiesel ao diesel comum. Segundo Campos, já existem projetos pilotos no Brasil desenvolvidos pela Embrapa e também por empresas privadas que apontam para a viabilidade da iniciativa.

Um estudo elaborado pelo MDA apontou que a participação da agricultura familiar no mercado do biodiesel poderá gerar empregos no campo a um custo médio de R$ 4,9 mil por família. Também mostrou que 406 municípios do Nordeste têm alta aptidão para o plantio de mamona, o que mostra a relevância do biodiesel para o desenvolvimento da região. Dos cerca de 4,13 milhões de agricultores familiares do País – 85,2% dos estabelecimentos rurais – 49,6% estão no Nordeste, onde a renda também é mais baixa. O estudo mostra ainda que quase 70 milhões de hectares brasileiros são considerados adequados para a produção de dendê, outra matéria-prima utilizada na fabricação do diesel vegetal.

Negociações

O MDA elabora em conjunto com o Ministério das Minas e Energia, Petrobras e BR Distribuidora um projeto de produção de biodiesel, a partir da mamona, para a região Nordeste. A intenção é beneficiar, até 2010, um total de 250 mil famílias de assentados da reforma agrária e agricultores familiares. Para isso, deverão ser instaladas 10 usinas de processamento na região. Uma das metas é a exportação de biodiesel para a Europa.

Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Agrário negocia com grupos privados que estão investindo em usinas de biodiesel, em São Paulo, Piauí e no Mato Grosso, para que comprem a produção da agricultura familiar. É o caso de Campinas, onde uma grande empresa de óleos vegetais começou a contratar assentamentos para o plantio de girassol e mamona. As ações devem ser operacionalizadas pelas Superintendências Regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Também existe a possibilidade de cooperativas de agricultores familiares da região Sul instalarem usinas para atender ao consumo dos seus associados. O assunto está sendo discutido entre o MDA, cooperativas e fornecedores de tecnologia de processamento.

fonte: Últimas Notícias - (04/02 - 11:01

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