Agroecologia favorece produtividade da mandioca

Produtores da comunidade de Pirangi, em Itapipoca, cultivam a variedade "pretinha" e alcançam melhor rendimento que a modalidade anterior

Casa de farinha em comunidade de Itapipoca. A produção do derivado da mandioca responde por 85% do que é produzido neste tipo de cultura no Estado, destinando-se à alimentação humana

Aumento de oito toneladas para 20t por hectare de mandioca é o resultado positivo alcançado em Itapipoca

Itapipoca - Uma associação formada por 25 famílias está atuando na transição da agricultura convencional para a agroecologia, fazendo com que a produção no campo aumente e se torne bastante rentável para todos que estão envolvidos no projeto. Este projeto foi implantado na comunidade de Pirangi, zona rural deste município e está sendo assistido pela Ematerce.

É um sistema de produção que visa o resgate de práticas agrícolas já conhecidas pelos produtores, a partir do uso de ferramentas tecnológicas e sociais cujo objetivo é o melhor incremento da produção e maiores possibilidades de mercado para o produtor.

O projeto implantado, que está servindo de piloto para outras comunidades, visa mostrar ao produtor de mandioca que ele pode optar por uma diversificação das espécies do cultivo de mandioca, ou usar somente uma variedade. "Aqui estamos trabalhando com uma única espécie, a mandioca variedade pretinha", disse Zilval Fonteles, engenheiro agrônomo da Ematerce. Segundo ele, a espécie tem uma produtividade de até 15 toneladas por hectare plantado, contra as 10 toneladas produzidas em área de igual tamanho com outros tipos de mandioca. "Além disso, a ´pretinha´ permite a colheita num tempo menor, algo em torno de um ano. Outra vantagem é o descascamento mais rápido, facilitando o trabalho das casas de farinha", ilustra Zilval Fonteles.

A transição da agricultura convencional para a agroecologia já mostrou suas vantagens e em pouco tempo conseguiu fazer com que os produtores aumentasse de oito toneladas por hectare, para 20t, por hectare. "A modernização da mandicultura foi necessário com a construção de uma fábrica de beneficiamento moderna, visando o aumento da produção de goma, farinha e outros subprodutos" explica Zilval Fonteles.

Melhor preço

"Antes a gente produzia de forma desordenada perdendo muito na qualidade obtendo um valor na venda muito inferior ao praticado no mercado local. Muitos compradores só pagavam R$ 35,00 por uma saca de 60 quilos, hoje o preço chegou a R$ 45,00", disse o presidente da Associação Prodesenvolvimento de Sítio Pirangi, José Cláudio Rosa.

Para o presidente da associação, um dos fatores que hoje devem ser levado em conta é a seleção de matéria adequada, higiene e os cuidados durante todo o processo de fabricação. "Com as novas tecnologias que estão sendo implantada na nova casa de farinha, o rendimento médio hoje chega a 30%", disse José Cláudio.

De acordo com engenheiro agrônomo da Ematerce, Zilval Fonteles, a agroecologia é constituída de diversos fatores que vão muito além da agricultura convencional, que é uma agricultura de exclusão.

"É um apanhado de técnicas, de parâmetros, de conhecimento local, de conhecimento do agricultor sobre o ecossistema em que ele vive, interação do meio ambiente com a natureza e o ser humano", disse Zilval Fonteles, acrescentando que devido a essa modernização introduzida, dentro das especificações tecnológicas exigidas, permite a produção de produtos de boa qualidade e de maior valor comercial, por custos razoáveis, proporcionando aumento na renda do produtor rural, o que gera uma grande expressividade apresentada pela cultura da mandioca no cenário socioeconômico do Estado.

Cultura de subsistência

Por não exigir maiores cuidados, o plantio da mandioca é um dos cultivos mais comuns realizados pelo homem do campo, considerado inclusive como cultura de subsistência no meio rural nordestino.

A mandioca é uma espécie nativa do Brasil e está distribuída em todo o território nacional. As principais regiões produtoras são: Nordeste (46%), Norte (25%), Sul (17%), Sudeste (7%) e Centro-Oeste (4%). Em nível nacional, 40 a 45% da produção destinam-se para farinha, 10% a fabricação do amido, 30% ao consumo de mesa e o restante é para a alimentação animal.

No Ceará em torno de 85% da produção de raiz de mandioca destina-se ao consumo humano, principalmente na forma de farinha e amido (goma), produtos considerados de baixa qualidade em razão das agroindústrias existentes serem artesanais e munidas de equipamentos obsoletos. O restante da raiz produzido é utilizado na alimentação animal, na forma fresca, ensilada ou fenada.

O interesse pela cultura deve-se a sua capacidade de adaptação as mais variadas condições ambientais.

Por suas características de rusticidade, em períodos de seca, comuns nas regiões semiáridas, a mandioca é capaz de produzir alimento, mesmo que precariamente, o que não acontece com a quase totalidade das mesófitas cultivadas nessas regiões, desempenhando assim, um importante papel social, notadamente junto às populações de baixa renda.

Quando as condições ambientais lhe são favoráveis, a mandioca se destaca das outras espécies cultivadas por sua elevada produção de biomassa por unidade de área. Daí a preferência de muitos produtores.

Fique por dentro
Valor econômico

O cultivo da mandioca é de grande relevância econômica como principal fonte de carboidratos para milhões de pessoas, essencialmente nos países em desenvolvimento. O Brasil possui aproximadamente dois milhões de hectares é um dos maiores produtores mundiais, com produção 23 milhões de toneladas de raízes frescas de mandioca. Normalmente se recomenda o plantio de maio a outubro. Entretanto o plantio pode ser recomendado em qualquer época, desde que haja umidade suficiente para garantir a brotação das hastes. As principais pragas são: mandarovás, ácaros, percevejo de renda, mosca branca, mosca do broto, broca do caule, cupins e formigas. As doenças mais comuns são: Podridão de raiz, Bacteriose, superbrotamento, viroses. Ao ser constatada qualquer alteração no estado fitossanitário, consultar o órgão competente mais próximo.

MAIS INFORMAÇÕES

Associação Pro-Desenvolvimento do Pirangi
Sítio Pirangi, Itapipoca
(88) 3631.8008

VANTAGENS
Cultivo é base para a agricultura familiar

A mandioca apresenta rendimento superior a outras culturas e gera expressiva fonte de trabalho no Estado

A cultura da mandioca constitui a base da economia dos agricultores familiares das regiões litorânea, Chapada do Araripe e parte da Chapada da Ibiapaba. Ainda que haja uma intensificação da exploração de culturas permanentes, na zona mandioqueira, a cultura da mandioca persiste por ser responsável pela ocupação da maior parcela da força de trabalho das famílias rurais, além de ser a base alimentar dessas famílias e seus animais.

No Estado, 85% da produção de mandioca é transformada em farinha, sendo totalmente destinada à alimentação humana, principalmente para a população de menor poder aquisitivo. A maior produção de farinha ainda é feita em pequenas unidades fabris, as chamadas "casas de farinha", situadas nas próprias propriedades. Os equipamentos são primitivos, com exceção dos motores a explosão e elétrico, e a energia elétrica, monofásica, está bastante difundida no interior cearense.

O que torna a mandioca um cultivo sustentável é a sua capacidade de produzir em solos, cujo teor de fósforo é baixo e de realizar fotossíntese em condições de estresse hídrico, além das diversas utilidades e aplicabilidades.

Até agosto, no Ceará, a lavoura da mandioca apresentou um rendimento de 12,03%, enquanto que o café, outro produto em alta, teve um rendimento de 4,03%. Os dados foram divulgados recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Valor bruto

Assim, a cultura da mandioca continua sendo o 4º maior produto em valor bruto da produção agrícola (VBP), no Estado, com R$ 157,9 milhões, 47% a mais do que em 2009.

Quatro anos atrás, o Estado atingiu uma área de cultivo de 180.602 hectares com a cultura da mandioca, representando 9,7% da sua área apta, sendo colhido 88.602 ha, onde foram produzidas 860.780t de raiz de mandioca.

Outra cultura que vem ganhando força na região de Itapipoca é a cajucultura. Na comunidade de Pirangi foi realizado um trabalho intensivo de substituição de copas nos cajueiros velhos e improdutivos por cajueiros anão precoce. Com esse trabalho, a produção de caju passou de 380 quilos/ha para 600 quilos/ha.

Com a utilização de tratos culturais, levando em conta técnicas agroecológicas, as perdas médias nos cajueiros foi de 40%, diferente da média da região que chegou a 80%, em 2009.

Uma fonte de renda importante para a comunidade vem do ensino de técnicas de enxertia para agricultores de outras comunidades. A capacitação também favorece o intercâmbio entre produtores.

Renda

"A comunidade já tinha um potencial muito grande voltado para mandiocultura"

Zilval Fonteles
Engenheiro agrônomo da Ematerce

"Com a nova tecnologia melhorou a qualidade da farinha e o preço também"

José Cláudio Rocha
Presidente da Associação de Produtores

"O cultivo da mandioca tem ajudado tanto na produção, quanto na renda familiar"

Parlim Monteiro dos Santos
Agricultor

Wilson Gomes
Colaborador

Fonte: Diário do Nordeste

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=846007

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