Cresce a procura por soja orgânica

O Brasil está conquistando mercados com a produção de soja orgânica. Tamanha é a procura por este produto, que os agricultores já estão conseguindo exportar até o grão em conversão. Para atender a esta demanda, estima-se que, na próxima safra, que está sendo cultivada atualmente, a área aumente 30%. Em média, 95% da produção orgânica da oleaginosa é comercializada com o exterior, para os países europeus, Estados Unidos e Japão. Parte, cultivada em pequenas propriedades, no Sul do País e, o restante, em Mato Grosso - maior produtor nacional do grão convencional. Pelas estatísticas do Instituto Biodinâmico (IBD), existiam, na safra 2000/2001 - certificados pela instituição - 7,3 mil hectares de soja orgânica cultivados no País e outros 2,2 mil hectares em conversão. Para a safra em curso, estima-se um incremento de 30% sobre a superfície atual, mas dados precisos estarão disponíveis somente a partir de dezembro, depois que o IBD fizer seu levantamento de plantio. O número é modesto, tendo em vista que, entre 1999/2000 e 2000/2001, o IBD passou de uma área supervisionada de 2 mil hectares para 7,3 mil hectares, ou seja, uma variação de 260%. Vaca louca "Este salto se deve a uma reativação de áreas antigamente paradas e ao aumento da demanda por este produto", explica Jorge Vailati, gerente do IBD. Segundo ele, o mal da vaca louca provocou maior procura por proteína vegetal. O prêmio com o produto certificado pode chegar até a 100% sobre o valor pago a soja convencional, enquanto os custos, em muitas vezes, são menores. Vailati diz que entre os pequenos agricultores, que utilizam mão-de-obra familiar, o custo de produção da soja orgânica é inferior à convencional, aumentando à medida que a mecanização se torna necessária. Mas, em termos de produtividade, o índice alcançado pelo grão sem agrotóxico não fica muito abaixo do convencional: 2,1 toneladas por hectare frente às 2,6 ton/ha. Atualmente, para certificar-se como orgânico, para o mercado internacional, o produtor precisa plantar em uma área já descontaminada, ou seja, que estivesse em pousio ( terra não cultivada por alguns anos), ou converter a superfície e, no período de dois anos, ter o selo de garantia. Apesar de o Centro-Oeste ser a principal região produtora de soja no País, as experiências com soja orgânica ainda não estão diversificadas. Em Mato Grosso do Sul inicia-se um projeto na Fazenda Itamarati, em Pontaporã, entre assentados, que irão comercializar com a Organics Corporation. Em Mato Grosso, a experiência limita-se ao município de Tangará da Serra. No Distrito Federal, a área cultivada com soja orgânica terá um incremento de 50% sobre a safra passada. Este é o segundo ano em que os produtores plantam a soja sem agrotóxico na região. Todo o cultivo será comercializado com a empresa Cabinet Boyer, da França. "Imaginamos que, com o contrato concretizado, aumente a área no próximo ano", diz Joe Carlo Vale, coordenador do Programa de Agricultura Orgânica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Transição Por se tratar de um cultivo em fase de transição, o bônus pago ao produtor ainda não será o mesmo pago a uma soja plantada em solo completamente descontaminado. Deste modo, os agricultores do Distrito Federal venderão o grão a US$ 250 a tonelada - quando a convencional é comercializada a US$ 160 a tonelada. Para o próximo ano, a Cabinet Boyer promete desembolsar US$ 400 por tonelada, segundo Vale. O produtor Alberto Figueira é um dos que está apostando no plantio para exportação. Apesar de o contrato com a Cabinet Boyer não ter sido firmado - os atentados terroristas no Estados Unidos teriam atrasado o processo -, Figueira acredita na venda de toda a sua produção. Por isso, está cultivando 70 hectares de soja, no lugar do milho plantado na safra passada. A semente, da variedade Vitória, foi adquirida de outro produtor do Distrito Federal e, seguindo as recomendações técnicas, tem potencial para 50 sacas por hectare. O custo da produção orgânica é discutível. Figueira acha que gastará menos em insumos que no cultivo convencional, no entanto, garante que a burocracia da certificação para a venda internacional deve absorver boa parte de seu prêmio. O controle de pragas será feito por meio de insetos, a adubação será também orgânica mas, para o controle de ervas daninhas Figueira precisará contratar mais mão-de-obra, o que pode encarecer o cultivo.

fonte : Gazeta Mercantil, ANO V - Nº 994 - QUINTA-feira, 22 de NOVEMBRO de 2001

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