Machado estrutura pólo de café orgânico*

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento e Ensino de Machado (Fadema), entidade vinculada à Escola Agrotécnica Federal de Machado (EAFM), e a Fundação Banco do Brasil assinam hoje um convênio pioneiro que pode representar um significativo passo para a consolidação da cafeicultura orgânica nacional. A iniciativa vai permitir a construção de um moderno armazém de peneira, seleção, preparo e classificação de grãos de origem orgânica certificados, a ser instalado dentro da área da EAFM, no município de Machado, no Sul de Minas Gerais, um dos mais importantes pólos da atividade no País.

Primeira etapa de um projeto global que prevê, ainda, a montagem de uma torrefação para café orgânico, a construção do armazém, a ser iniciada dentro dos próximos 15 dias, vai permitir a preparação do café verde dentro dos padrões exigidos pelo mercado internacional. Apesar de o convênio ser assinado entre a Fadema e Fundação Banco do Brasil, serão beneficiados aqueles produtores filiados à Cooperativa Nacional de Cafeicultores Orgânicos, entidade com assembléia de fundação marcada para o dia cinco de setembro próximo e que deve reunir cerca de 100 filiados de diversas regiões do País.

A estimativa é que o armazém de preparação de café para exportação, previsto para ser concluído em novembro próximo, processe cerca de 20 mil sacas de 60 quilos por ano. ´A proposta é agregar valor ao grão e facilitar as vendas externas para os produtores filiados à Cooperativa Nacional de Cafeicultores Orgânicos´, informa Sérgio Pedini, engenheiro agrônomo, professor da Escola Superior de Agricultura e Ciências de Machado (Esacma) e secretário executivo da Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil (ACOB), com sede em Machado (MG).

Com a operação do armazém, será possível realizar a seleção dos melhores grãos, o que facilita a penetração do café dos filiados à Cooperativa Nacional de Cafeicultores Orgânicos no mercado externo. De acordo com Pedini, com peneiras de 16 acima (forma de classificação dos grãos), as sacas de café orgânico conseguem uma adição de até US$ 30, se comparado ao preço de mercado do café orgânico que não passa por rigoroso processo de seleção. Já os grãos classificados em peneiras de 16 abaixo, serão destinados à indústria de torrefação e moagem, que representa a Segunda etapa do projeto.

Juntos, armazém de classificação de grãos e indústria de moagem e torrefação, ambos destinados exclusivamente a cafés orgânicos certificados, devem consumir investimentos de R$ 350 mil.

Parte dos recursos está sendo repassada hoje pela Fundação Banco do Brasil. O restante, a ser direcionado para a fábrica, será viabilizado com uma associação civil sem fins lucrativos, que financia projetos nas áreas > social, ambiental, educacional, com efeito multiplicador das ações. ´O projeto foi aprovado extra-oficialmente´, assinala Pedini, que por enquanto prefere não revelar qual é a instituição financiadora.

Como as negociações dos recursos necessários para a indústria de moagem e torrefação de café orgânico certificado estão bastante avançadas, a unidade a ser instalada na Escola Agrotécnica Federal de Machado (EAFM), em Machado (MG), em área contígua a do armazém de seleção de grãos, está com operação prevista para dezembro deste ano. Com isso, os associados da Cooperativa Nacional de Cafeicultores Orgânicos, com assembléia de fundação marcada para o próximo dia cinco de setembro, deixam de ser apenas produtores e passam deter uma marca própria no mercado interno e possibilidade de vendas no exterior.

Segundo Sérgio Pedini, engenheiro agrônomo, professor da Escola Superior de Agricultura e Ciências de Machado (Esacma) e secretário executivo da Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil (ACOB), sediada na cidade mineira, a montagem de uma indústria de torrefação de café orgânico reverte a atual lógica de mercado, onde o produtores e consumidores são os mais prejudicados. ´Há um ano e meio os preços do café tradicional caem e o café orgânico, apesar de ter cotação maior, também acompanhou o movimento descendente. Mesmo assim, as indústrias mantiveram o preço do café torrado e moído nos mesmos patamares de antes da queda´, assinala.

Pedini, assim como todos profissionais e produtores rurais envolvidos com o sistema orgânico de cultivo, defendem o conceito de mercado justo. Isso significa que a atividade está baseada em um tripé: ser economicamente viável para o produtor, socialmente justa para toda a cadeia, leia-se trabalhadores rurais, consumidores e indústria; além de ser correta no aspecto ambiental, integrada ao ecossistema. Como a matéria-prima sofreu queda de preços nesse último um ano e meio, o agrônomo acredita que o valor do café orgânico comercializado pelas grandes indústrias também deveria ser menor para o consumidor.

Pedini afirma que a comercialização do café orgânico torrado e moído dos produtores vinculados à Cooperativa Nacional de Cafeicultores Orgânicos seguirá esse conceito. ´Isso não significa que os cafeicultores deixarão de fornecer café para as grandes torrefações, mas estarão a frente de um negócio próprio, onde poderão implementar os conceitos básicos de mercado justo´, assinala. A meta é iniciar a apresentação do produto para o mercado até dezembro deste ano e entrar efetivamente no mercado interno até julho de 2002. Existem contatos com uma empresa francesa se mostra interessada em levar o produto para França, Espanha e Itália.

Como forma de atrair compradores estrangeiros, em julho de 2002 será realizada a 1ª Feira Internacional de Café Orgânico de Machado. Outra ação que consolida a cidade Sul mineira como principal pólo nacional da cafeicultura orgânica é o recém-criado curso de pós-graduação - especialização ´latu sensu´ em Cafeicultura Orgânica, da Escola Superior de Agricultura e Ciências de Machado (Esacma). Primeira iniciativa de pós-graduação do País, o curso teve início no último dia 17 e tem duração de dez meses.

Fonte: Gazeta> Mercantil - 22 de Agosto de 2001

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