PROCURANDO O CAMINHO DA ROÇA

O que levou milhares de homens do campo a abandonarem suas propriedades, trocando uma atividade autônoma saudável pelo relógio de ponto? As respostas estavam no Fórum de debates da CIENTEC – Feira de Tecnologias da Universidade de Campinas – SP, dentro do módulo sobre " Desenvolvimento Sustentável": a perda da auto-estima e sua política agrícola que privilegia os grandes produtores especializados e a industria química.

" O atrelamento de sementes geneticamente melhoradas e todo um pacote de insumos e defensivos químicos tornou a agricultura impagável. Até os grandes estão quebrando. Nos Estados Unidos, o maior índice de suicídios ocorre entre agricultores endividados", informa o pesquisador Paulo Frederico Petersen, da Assessoria e Serviços a Projetos de Agricultura Alternativa (ASPTA).

Resumindo a agricultura está insustentável. E, pior, tornando a própria vida sem sustentação ao destruir o meio ambiente. Então como se desenvolver sem destruir?.

" O pesquisador precisa deixar os campos experimentais e respeitar os conhecimentos do agricultor" , defende Paulo Peterson, acusando as instituições de pesquisa estatais de terem deflagrado, ingenuamente, esse artefato que está detonando a lavoura brasileira e mundial.

Os representantes dos órgãos oficiais de pesquisa aceitam a crítica, mas lembram que não estão passivos. A Embrapa Meio Ambiente em Jaguariúna, a Embrapa Monitoramento por Satélite, Embrapa Agrobiologia e a Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, órgão do governo paulista) desenvolvem trabalhos de ponta, não só para reverter tal processo, como também para corrigir prejuízos.

Como exemplo de produção alternativa e de geração de renda para agricultura familiar, estudos do professor José Graziano da Silva, do Instituto de Economia da Unicamp, informa que o Brasil, hoje, é um dos maiores produtores mundiais de perdizes, marrecos e pavões, entre outras aves destinadas a culinária ou ornamentação. " Capivara, jacaré, javali, escargot, frutas e legumes orgânicos, tudo isso são alternativas para ampliar a renda das famílias rurais", observa. dor, desenvolve projetos

Já para Maria Tereza Pedroso, pesquisadora da UNB-DF, deixou claro que quaisquer políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável esbarram em quem detém o poder. Durante o governo de Cristóvam Buarque, no Distrito Federal, foi criado um balcão de insumos para pequenos produtores que queriam, por exemplo, produzir doces, mas não conseguiam comprar vidros para acondicioná-los porque o produto só era vendido em grande quantidade. Mudou o governo e, talvez por isso, Maria Tereza só falou no tempo passado.

fonte: Jornal da Unicam- Setembro de 2001

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