Grupo holandês vai explorar produto orgânico

 

Com vistas ao vasto potencial brasileiro para cultivo de alimentos orgânicos, o grupo holandês Tradin Organic Agriculture B.V., com atuação mundial na produção, beneficiamento e comercialização dessas mercadorias, acaba de firmar aliança estratégica com a mineira Brazil Organics, do segmento de comércio exterior de produtos orgânicos. O negócio recebeu aporte inicial da ordem de US$ 100 mil, recursos a serem direcionados ao custeio das operações da Tradin Brazil Organics Ltd, com sede na capital mineira, empresa que surge dessa associação.

 

Ao estabelecer a parceria estratégica e formatar a Tradin Brazil Organics Ltd, da qual possui 51% de participação, o grupo holandês passa a possuir uma base de fornecimento em território brasileiro, onde também vislumbra estabelecimento de base comercial. São projetos de cultivo em que a antecessora Brazil Organics mantém parcerias com produtores para aquisição de alimentos orgânicos nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba, Alagoas, Norte de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Dessa forma, parte da demanda por hortaliças e, principalmente, frutas tropicais fica assegurada. A proposta é garantir o abastecimento dos mercados europeu e norte-americano, onde segundo Wim Rabbie, principal executivo do grupo holandês, a demanda por produtos orgânicos tem sido crescente. "No ano passado apresentamos crescimento de 42% e, com a parceria, estamos garantindo o abastecimento desses mercados para que não haja perigo de faltar matéria-prima", assinala. Hoje, um dos principais consumidores de matérias-primas orgânicas na Europa e Estados Unidos são as indústrias que fabricam para grandes redes de supermercados.

 

A aliança estratégica vai permitir, ainda, que a Tradin Brazil Organics amplie parcerias com produtores brasileiros de alimentos orgânicos para aquisição de matéria-prima. "Queremos estabelecer o conceito de biodiversidade comercial, pois se não incentivarmos os produtores, corremos o risco de não nos estabelecermos", assinala Paulo Moraes, diretor da filial brasileira do grupo holandês. De acordo com o executivo, a empresa vai dar sinais para que os produtores possam se programar e posicionar diante das exigências do mercado internacional.

 

Uma das estratégias para o País é nomear representantes e prospectar produtores de orgânicos interessados em fechar contratos de compra e venda de frutas, hortaliças, café, óleo de dendê, coco, cacau, cítricos entre outros produtos que possam ter penetração no mercado norte-americano e europeu. A idéia é expandir o trabalho para produtores rurais que ainda realizam cultivo na forma convencional, mas estejam interessados em converter as lavouras tradicionais para orgânicas, com possibilidade de prestar, por meio de terceiros, assistência técnica nesse quesito.

Na avaliação de Moraes, o processo de convencimento dos produtores tradicionais passa por questões ideológicas e não meramente financeiras. "Há muita resistência dos produtores pelo lado dos custos de conversão das lavouras, mas se esquecem de que após concluído o processo, a propriedade passa a ser auto-sustentável, pois não há demanda por nenhum outro tipo de insumo, ferlizantes ou adubos químicos", informa.

Mas por trás dessa lógica, também existe um claro interesse comercial. A Brazil Organics, agora Tradin Brazil Organics, mantém parcerias com empresas como Horta & Arte, entre outras, e vislumbra expandir a atuação no mercado brasileiro. Não é por acaso que a empresa terá sua base em Belo Horizonte, onde o mercado de produtos orgânicos ainda é pouco explorado e, principalmente, menos concorrido que São Paulo, Rio de Janeiro e estados do Sul do País.

O primeiro e principal projeto que a Tradin Organics pretende implantar em território brasileiro refere-se ao estabelecimento de uma área plantada com soja rgânica, concomitante à montagem de uma indústria para beneficiamento da oleaginosa. A empresa deve viabilizar o negócio em 12 meses e pretende apresentar projeto para buscar recursos com o Fundo Terra Capital, que financia projetos direcionados para a biodiversidade.

 

Concebido por um grupo de empresários, ambientalistas e representantes de organismos multilateriais, o Fundo Terra Capital financia projetos econômicos com forte componente de sustentação ambiental. A Tradin Brazil Organics pretende captar cerca de US$ 5 milhões para implantar o projeto de cultivo e beneficiamento de soja orgânica no País. "Essa é uma das oportunidades de negócio que identificamos no Brasil", diz Wim Rabbie, principal executivo do grupo holandês Tradin Organic Agriculture.

Segundo Rabbie, entre todos os produtos orgânicos, a soja é um dos que tem grande potencial de vendas na Europa e Estados Unidos, devido a crescente demanda. O executivo holandês informa, no entanto, que existe mercado no continente europeu e América do Norte para várias mercadorias de origem orgânica. O interesse das redes supermercadistas tem aumentado procura por essas mercadorias e forçado as indústrias que prestam serviços para essas empresas a adquirem matérias-primas orgânicas.

"A grande indústria ainda é temerosa em entrar nesse mercado, mas tem fabricado por encomenda para grandes redes supermercadistas", assinala Rabbie. Na Europa, informa o executivo do grupo holandês, o grande impulso para os alimentos orgânicos deu-se a partir de 1992, quando a então Comunidade Européia regulamentou as normas para definir o padrão dos produtos inseridos nessa categoria. Hoje, o grupo holandês Tradin Organic Agriculture B.V. possui cinco filiadas na área de captação de produtos orgânicos - entre as quais a Tradin Brazil Organics – além de seis escritórios de negócios espalhados pela Europa, Estados Unidos e Índia. Todas as empresas são controladas pela holding The Organic Corporation. O grupo comercializa alimentos orgânicos como cereais, arroz, frutas secas, café, cacau, polpas de frutas congeladas, feijão, amêndoas, nozes e bananas, entre outros.

fonte http://www.gazetamercantilbh.com.br BELO HORIZONTE - quinta-feira, 23 de agosto de 2001 - ANO III - Nº 598


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