Alternativa econômica e socioambiental extrai força da agroecologia

A Comunidade Galiléia está localizada no município de Cidelândia – MA e congrega o tipo fitofisionômico da pré-Amazônia maranhense. As primeiras famílias chegaram a Galiléia por volta de 1973 vindas de Altamira do Maranhão, e principalmente, do Estado de Sergipe. Vieram em busca de melhoria de qualidade de vida por meio do trabalho na terra.

No final de 1994, constituiu-se o Grupo dos Pequenos Produtores Rurais de Galiléia –GPPRG, que atualmente é composto formalmente por 27 associados entre homens e mulheres. Por meio da Associação, eles obtiveram um projeto financiado pelo Banco do Nordeste do Brasil S/A, linha de crédito do FNE, atendendo 14 (quatorze) associados, projeto este com a finalidade da melhoria da produção leiteira na região. O valor liberado foi de R$ 183.000,00 (cento e oitenta e três mil reais), e teve sua implantação no início de 1998. O referido projeto veio propiciar a melhoria da renda familiar local, no entanto, implantado nos “moldes” do crescimento econômico, sem primar pela conservação dos recursos naturais, nem tampouco, pelo fortalecimento de nossa organização, gradativamente, as terras foram se degradando, pois as unidades de produção familiar não eram encaradas como um todo, ao mesmo tempo em que percebiam que não estavam se consolidando como Grupo, pois os problemas locais estavam sendo encarados à luz da iniciativa individual de cada família.

Atentos à exposta problemática, eles começaram a se indagar e avaliar a situação. Melhoraram a renda, apesar da depreciação dos recursos naturais. Mesmo com as pesadas cargas de juros, estão adimplentes e estão tocando o barco. Como resultado das indagações e avaliações, perceberam que teriam, até mesmo como forma de sobrevivência, que buscar outras alternativas que viessem de encontro aos desígnios de melhoria de qualidade de vida, fortalecimento organizacional e conservação ambiental. Então ouviram falar no PDA/MMA/PPG7, “entidade” onde havia a política de apoiar iniciativas locais e regionais dentro das premissas da sustentabilidade, o qual veio de encontro com os sonhos da comunidade – desenvolver com qualidade ambiental.

Com isso, elaboraram uma proposta em 1998 para o PDA, sendo que a mesma foi aprovada decisivamente em 2000, tendo a duração de três anos, a qual apoiou a comunidade com um montante financeiro de R$ 298.175,53 voltados para a recuperação de áreas degradadas tendo como um dos resultados, a implantação de cerca de 40 ha de SAF’ s envolvendo 15 famílias. Com o referido projeto, foram adquiridos equipamentos para o auxílio nas atividades pleiteadas: moto XLR 125, três roçadeiras motorizadas, um caminhão F 4000, um computador com impressora, um aparelho de fax, uma filmadora, um GPS e um poço artesiano, além de muitas capacitações de construção de um rico “capital” social. Tem também um sistema de distribuição de água conseguido por meio de uma parceria com o governo do estado e Banco mundial, que através do poço, abastece 43 famílias da comunidade. Com o apoio da Fundação Luterana de Diaconia, em dezembro de 2002 por meio do Grupo de mulheres da comunidade, tiveram uma proposta aprovada no valor de R$ 4.678,00 para melhoria da segurança alimentar através da implantação de horta comunitária e meliponicultura, proposta assumida com bons resultados pelas mulheres da comunidade.

Conheceram o PPP/ISPN em 2002 apresentando a nossa experiência com SAF’s na I Feira dos Povos do Cerrado, o que os levou a compor e aprovar uma proposta, recebendo o montante de R$ 70.500,00 com duração de um ano, por meio da qual foram os precursores aqui na região com o apoio da Associação Maranhense pela Conservação da Natureza AMAVIDA, na criação e conservação de abelhas nativas, como também, potencializaram de forma decisiva as ações do Fórum Ambiental de Cidelândia – FAMEC que ajudaram a construir, propiciando o acontecimento das reuniões de articulação mensal do mesmo com assessoria técnica, o que culminou no seu fortalecimento e na sua constituição jurídica.

No final de 2003, organizaram a pedido do Pda e Gtz a oficina intitulada “Saúde, Gênero e Meio Ambiente”, envolvendo diversas experiências ligadas a temática e apoiadas pelo PPG7, alavancadas principalmente por mulheres do norte a sul do País. Ainda em 2003 participaram do Seminário Internacional de Agroecologia como uma estratégia para a agricultura familiar, realizado pelo Centro Sabiá e UFRPE em Recife.

Em 2004 participaram mais uma vez da Feira dos Povos do Cerrado em Goiânia, na qual fizeram parte do Grupo de Trabalho do Cerrado da RC (Rede Cerrado), estreitando a relação e fazendo parte informalmente da mesma. Desta vez, apresentaram a experiência com SAF`s, destacando o componente abelhas nativas. E neste ano, em setembro, conseguiram uma unidade de telefonia pública para a Comunidade, o que já pleiteávamos desde janeiro de 2002.

Em 2005 lançaram a campanha regional de prevenção de queimadas por meio do IBAMA, onde promovem um rico processo de intercâmbio de experiências à luz de sistemas de produção sem o uso do fogo. Como um dos resultados do Seminário, firmaram um convênio nacional com o IBAMA para a doação de equipamentos e promoção de qualificação para pequenos produtores controlarem as queimadas aqui na região.

Em nível de estado fazem parte informalmente da Rede de Agroecologia do Maranhão – RAMA, por meio da qual ajudam na construção do I Encontro Nacional de Agroecologia – ENA, que reuniu 1.100 participantes de todo o Brasil (dos quais 700 agricultores e os demais técnicos de ONG’s e órgãos públicos que apresentaram as suas experiências).

Fazem parte, formalmente, do Fórum da Mesorregião do Bico do Papagaio, que congrega 16 municípios do estado do MA, 25 do estado do Pará e 25 do estado do Tocantins. Uma iniciativa do Ministério da Integração Nacional, através do Programa de Desenvolvimento das regiões estratégicas do País. A comunidade Galiléia conseguiu, junto a Prefeitura Municipal, a construção do prédio da escola municipal.

Atualmente estão executando o PDA Consolidação, orçado em R$ 608.728,85, deste montante a quantia de R$ 209.301,05 é contrapartida da Comunidade, em forma de mão-de-obra e parcerias com outras entidades da sociedade civil e governos. O recurso financeiro dos doadores prevê assistência técnica, capacitações para as famílias envolvidas no sistema de produção e ainda a construção da cozinha comunitária. A cozinha será o local de processamento do frutos oriundos dos sistemas agroflorestais e quintais dos agricultores envolvidos no Subprojeto PDA-648 – PDA097-C.

Pretendem fazer polpa de frutas e doces de diversas formas, aproveitando assim o excesso de frutos da comunidade, bem como incrementar a renda familiar. Além de outras atividades como a implantação de uma estação de rádio comunitária, cujo processo se encontra em tramitação junto ao Ministério das Comunicações.

Fonte: EcoDebate em 18/01/2010

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