Fazenda testa homeopatia em bovinos

 

O pecuarista José Vitor Aragão diz que gastava de R$ 1.500,00 a R$ 2 mil por mês com medicação para as 350 cabeças de gado girolando em criação na Fazenda Congonhas, em Uberaba (MG). Hoje, gasta R$ 500,00. Isso porque, de dois anos para cá, tem usado homeopatia e fitoterapia para tratar seu rebanho. Apesar da resistência de pesquisadores, Aragão afirma que é possível controlar algumas pragas e evitar doenças freqüentes em bovinos.

"Não existe nenhum estudo científico que comprove a eficiência da homeopatia que estão preconizando", afirma o pesquisador da área de Parasitologia Animal, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ivo Bianchin. "Não recomendamos o uso enquanto esses testes não forem feitos."

Em 2000, Aragão solicitou soluções homeopáticas ao farmacêutico Paulo César Manara Bittar, em Uberaba. O especialista produziu os bioterápicos para bovinos valendo-se do princípio homeopático de fazer a medicação a partir do agente agressor. Começou com soluções para o combate de carrapatos, mosca-dos-chifres e bernes. "Agora temos medicamentos para tratar mastite (inflamação na mama), pneumonia, verrugas, gabarro (infecção no casco) e verminoses. Também usamos a homeopatia para facilitar o cio e evitar a retenção da placenta."

Um frasco de 100 mililitros de medicação contra carrapatos, por exemplo, custa R$ 10,00 e dura até 50 dias num criatório como o de Aragão, de acordo com o farmacêutico. "Um animal deve comer 70 gramas de sal/dia. Em cada 25 quilos de sal, suficientes para compor a alimentação de 350 cabeças/dia, são usados 2 mililitros do medicamento", explica Bittar, que hoje já tem mais 30 clientes nesse ramo. Os efeitos do bioterápico contra carrapatos começam a ser notados em três meses. "Os resultados se consolidam depois de seis meses."

A rotina de dar banho carrapaticida no rebanho a cada 23 dias mudou na Fazenda Congonhas. Agora, nenhum produto químico é usado no controle de pragas. O manejo é importante, ressalta Aragão. "A pastagem e o adubo são orgânicos."

A fitoterapia também é recomendada e as soluções podem ser feitas pelo próprio pecuarista, diz Bittar. Profissionais da farmácia de propriedade do especialista ensinam gratuitamente como preparar banho carrapaticida à base de erva cidreira, erva Santa Bárbara, citronela, óleo de eucalipto, fumo de corda, sal e álcool; banho para desinfecção das mamas à base de carqueja; solução de folha de bananeira para combater vermes, entre outros produtos.

A resistência à homeopatia não é novidade. O princípio da cura pelo semelhante tem sido contestado ainda quando aplicado ao ser humano. E, quando o assunto é o uso da medicação em animais, a contestação é maior. No entanto, uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Botucatu) revelou, recentemente que métodos alternativos podem ter bons resultados quando aplicados à agricultura:

macerados de formigas cortadeiras ou lagartas têm se mostrado eficientes no controle biológico dessas pragas. "O produtor tem muita resistência ao novo.

Mas diferente de um pesquisador, por exemplo, o pecuarista é muito pragmático", diz Bittar.

O farmacêutico ressalta, porém, que não é possível conseguir eliminação completa das pragas e vermes. "Mas eles são reduzidos a níveis muito baixos, que não alteram a produtividade e qualidade do gado."

O vice-gerente da Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD), Jackson Teruo Ota, afirma que nos próximos dias será formalizada a liberação da Fazenda Congonhas para fornecimento de leite orgânico. Desde maio deste
ano, a propriedade vem sendo vistoriada pela empresa, que atua há 12 anos na área de inspeção e certificação agropecuária. "Aceitamos a homeopatia. Mas não dá para dizer que ela é a solução de todos os problemas da pecuária", pondera Ota. Ter pastagem e adubos orgânicos e tomar outras medidas de manejo são algumas recomendações.

Aragão produz 1.300 litros de leite orgânico por dia. Depois da certificação, trabalhará para conseguir ampliar a produção e impulsionar a venda para todo o mercado. A empresa Laticínios Taigors, também de Uberaba, já embala o leite orgânico produzido na Fazenda Congonhas.

fonte: OESP, 04/12/02


Leia Mais:



Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

Siga-nos Twiiter rss Facebook Google+