Integrando gado a um desenho Sintrópico

A nossa experiência com a Agricultura Sintrópica iniciou-se em 2017, quando implantamos o primeiro módulo na fazenda, numa área piloto de 3 hectares.

A fazenda é localizada no município de Unaí, a aproximadamente 200km de Brasília, e sua atividade produtiva principal é o gado leiteiro.

Como o nosso intuito com o projeto piloto de Agricultura Sintrópica era verificar, na prática, a conciliação da atividade produtiva com a regeneração do solo e do ambiente, escolhemos uma das áreas mais degradadas da fazenda para a implantação do projeto, e desenhamos o sistema pensando na possibilidade de integração futura do gado leiteiro.

Adotamos, portanto, um espaçamento de 7 metros entre as linhas de árvore – parte do capim foi pensado para gerar matéria orgânica de cobertura do solo; e a outra parte para alimentar o gado. Desde o princípio, nossa ideia era ter na mesma área: produção sustentável de alimento, melhoria das condições do solo e ganho de produtividade da área de pastagem.

Após 16 meses do plantio, realizamos a primeira experiência de integração do gado de leite na área. Inicialmente, pensamos em instalar cercas com linhas de choque para proteger as linhas de árvore da interação com o gado. Porém, ao constatar que seriam necessários 5.600m de cerca, aproximadamente, para uma área de apenas 3ha, e considerando que já estávamos ampliando a área de Agricultura Sintrópica, concluímos que a instalação das cercas era financeiramente inviável, além de dificultar o manejo das linhas. Assim, decidimos iniciar a integração permitindo a interação do gado com as linhas de árvore. Para minimizar eventuais danos, no entanto, optamos por inserir bezerras na área, ao invés do gado adulto.

Assim, em março de 2019 abrimos a área para 60 bezerras. Nos três primeiros dias, observamos que o gado concentrou sua alimentação no farto capim massai e mombaça (que já estava demasiadamente alto – ou seja, com mais talo e menos folha, tendo passado do “ponto ótimo”), ingerindo também, eventualmente, algumas folhas de mandioca plantada nas linhas de árvore.

Foto abaixo: Área imediatamente antes da integração do gado – parte do capim foi roçado para cobertura das linhas com matéria orgânica, e parte ficou reservada para alimentação do gado. Na foto é possível verificar que o capim já estava fora do “ponto ótimo”.

Ao longo dos dias que se seguiram, o gado passou a se alimentar, também, das folhas de batata-doce e de cará-do-ar plantados na primeira entrelinha, e de alguns açaís e bananas de pequeno porte. Observamos que a interação com as espécies das linhas ocorreu com bezerras mais “velhas” (acima de 6 meses).

Embora esta interação não tenha gerado danos relevantes nas culturas principais, diante do observado retiramos temporariamente o gado da área e roçamos o capim, para que as bezerras possam ser reinseridas quando aquele estiver no tamanho adequado para a sua alimentação. Adicionalmente, a reinserção se dará com bezerras mais jovens (de 3 a 6 meses de idade), e provavelmente numa densidade menor. Na nossa avaliação, nessas circunstâncias as interações serão mais benéficas para todo o sistema, incluindo o gado.

Na época da seca, em que o capim fica mais fraco/seco, avaliaremos a evolução da integração para então definir a melhor conduta. A partir da próxima experiência, enviaremos mais relatos, aprendizados e conclusões a respeito da integração.

Fonte:Life Syntropy por Luisa Nogueira Queiroz e Luciano Queiroz Neto

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