FAO vê chances para exportação

Um documento divulgado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) no mês passado recomenda aos governos dos países do Terceiro Mundo que incentivem a agricultura orgânica. "O mercado de frutas e verduras orgânicas oferece bom potencial para que os países aumentem suas exportações e diversifiquem sua agricultura." Para os técnicos da FAO, nos países desenvolvidos, a demanda por alimentos orgânicos deverá ultrapassar a capacidade de produção, o que oferece uma boa oportunidade de mercado para os países pobres. O documento cita o caso da Argentina, que em 1987 contava com apenas cinco agricultores orgânicos. Hoje, a área ocupada com frutas e hortaliças orgânicas naquele país soma 3 milhões de hectares, a segunda maior do mundo.

O estudo da Fundação Ecologia & Agricultura também aponta boas oportunidades de negócios para os alimentos orgânicos que não são produzidos na Europa e nos EUA, como café, chá, cacau, frutas tropicais e suco de laranja. "Estamos atentos a esse mercado, mas ainda o consideramos um nicho", diz Ademerval Garcia, presidente da Abecitrus (Associação Brasileira dos Exportadores de Citros). Segundo ele, as grandes empresas exportadoras de suco de laranja têm interesse em colocar um pé no mercado de orgânicos mais por uma questão de imagem. Já as pequenas podem ganhar um bom dinheiro com a exportação de sucos orgânicos", diz Garcia, que cita o exemplo da Montecitrus, empresa do interior paulista formada por 400 citricultores.

País que despeja anualmente cerca de 300 mil toneladas (US$ 2,5 bilhões) de agrotóxicos nas lavouras, o Brasil figura em 15º lugar no ranking dos maiores produtores de orgânicos do mundo. O espaço destinado a esse tipo de sistema é de 100 mil hectares, 0,04% do total da área plantada no país. Um relatório do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), elaborado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil em 1999, informa que a agricultura orgânica por aqui vem crescendo à taxa de 20% ao ano.

fonte: Jornal Folha de São Paulo, terça-feira, 04 de dezembro de 2001

 

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