Empresa leva frutas amazônicas ao mercado americano 

A empresa tem samba no nome, mas o produto brasileiro que quer levar para os americanos não exige a presença de tamborins e cuícas. A aposta da Sambazon são as frutas típicas da Amazônia. A empresa foi criada há um ano e meio pelo ex-jogador de futebol americano Ryan Black e tem como objetivo fazer a ponte entre as frutas que já conquistaram todo o Brasil e o exigente consumidor americano. Apaixonado por açaí, Black decidiu convencer os conterrâneos a experimentarem a fruta amazônica, que só no final dos anos 90 deixou de ser privilégio no cardápio da região Norte.

A Sambazon é responsável hoje pela exportação das polpas de frutas produzidas pela Sucasa. Neste ano, a empresa exportou 60 toneladas de polpas, que incluíram cupuaçu, acerola, maracujá e goiaba. Até o final deste ano, embarcam mais 20 toneladas. A quantidade enviada ao exterior ainda é pequena, mas está ajudando a criar mercado para as frutas da Amazônia.

O campeão de vendas no exterior é mesmo o açaí. De acordo com Black, a fruta já é vendida em mais de 200 pontos espalhados em todos os Estados Unidos, em especial nos estados da costa Oeste, como a Califórnia. A fruta é exportada em embalagens de 100 gramas e um quilo sem açúcar ou misturado com guaraná e açúcar orgânico. Nos Estados Unidos, as frutas da região são usadas em sucos e vitaminas. Black afirma que ficou impressionado com o sabor do açaí mas também com as perspectivas econômicas do produto. A princípio, chegou a pensar em abrir uma organização para promover o desenvolvimento da Amazônia por meio da comercialização de produtos sustentáveis, mas aí acabou optando pela empresa.

Além da representação e distribuição nos Estados Unidos, a Sambazon, que já tem escritórios em Miami e Rio de Janeiro, quer incentivar o manejo da floresta, dando prioridade para a comercialização de produtos extraídos de áreas certificadas. Para isso, a direção da empresa definiu que 7% do lucro serão repassados para projetos de manejo sustentável. Além disso, a Sambazon negocia parcerias com organizações não-governamentais para captar recursos financeiros para programas de preservação no Norte do Brasil.

Para quem exporta, uma das grandes dificuldades são as exigências sanitárias, especialmente rigorosas em países como os Estados Unidos. O técnico da empresa Stephen Baumgardner explica que os interessados em conquistar esse mercado devem ter, além de produtos adequados às exigências do consumidor americano, processos de produção ecologicamente corretos.

Um dos projetos que receberá apoio da Sambazon para venda no exterior será o do Ecomapuá Conservação Ltda. A empresa possui duas áreas na Amazônia. São 98 mil hectares no município de Breves, ilha de Marajó, no Pará, e mais 623 hectares em Santana, no Amapá. As duas áreas pertenciam à Santana Madeireira, que fazia parte da holding japonesa Tomin Corporation, e foram exploradas até 1978. Agora, os novos controladores da área querem transformar o que já foi área de exploração madeireira em modelo de desenvolvimento sustentável, com a extração manejada de produtos como açaí, óleos naturais e fibras naturais para produção de cestarias.

Nos planos da Ecomapuá está a criação de uma unidade de produção para beneficiamento de açaí em Breves. Para isso, a empresa firmou parceria com a Nova Amafruta, indústria de suco de maracujá que acaba de ressurgir numa parceria dos produtores e funcionários da fábrica com o governo paraense. A Sambazon ficará encarregada do escoamento da produção.

A idéia é fazer com que a atividade extrativista gere renda para a comunidade que vive hoje na região. São cerca de 300 famílias que, sem alternativa de sobrevivência, representam risco para a floresta porque acabam vendo na derrubada de árvores a única opção para sobreviver. ´Temos que ter atividades que dêem sustentabilidade às famílias que habitam a área´, afirma o diretor da Ecomapuá, Lap Chan.

Uma das medidas a serem tomadas pela Ecomapuá será o enriquecimento da floresta, com o plantio de espécies como andiroba e virola. A área poderá ser usada também nas negociações de seqüestro de carbono, assim que forem definidas as regras para a comercialização das reservas com esse objetivo.

fonte: Gazeta Mercantil- PA 07/11/2001.

 

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