Veneno ecológico vence luta contra formigas cortadeiras


O combate às formigas cortadeiras já pode ser feito de maneira ecologicamente correta. No lugar dos formicidas químicos, entra o conceito "politicamente correto" da homeopatia. Além de não agredir o meio ambiente, o "formicida ecológico" pode ser preparado pelo próprio agricultor ao custo de R$ 20. O método foi utilizado com sucesso na Guiana — ao norte da América do Sul — pelo engenheiro agrônomo do Departamento de Horticultura da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Francisco Luiz Araújo Câmara. O pesquisador aplicou compostos homeopáticos no combate às formigas cortadeiras que estavam destruindo as plantações locais de mandioca. Em cinco dias de aplicação, notou-se uma profunda alteração no comportamento das formigas, com uma significativa redução/paralisação de suas atividades, o que, além de confirmar a eficácia do tratamento, se traduz como uma alternativa concreta de controle ecológico. Segundo Câmara, o método tem como vantagem a eficiência e a praticidade. Cada produtor pode ter seu próprio laboratório, sem a necessidade de comprar insumos. O formicida ecológico é obtido a partir de material biológico feito com as próprias formigas da espécie que se deseja eliminar. "O produto pode ser aplicado diretamente sobre as formigas, plantas e trilhas. Somente aquela espécie da qual foi feito o nosódio —termo técnico que designa o medicamento feito a partir do próprio organismo para combatê-lo— será eliminada, sem danos para o meio ambiente." O custo para a montagem de um laboratório próprio fica em média em R$ 20. Segundo o pesquisador, é preciso um recipiente não metálico para fazer a maceração, vidros âmbar para a diluição e dinamização (a cor impossibilita a entrada de luz), álcool a 70%, glicerina e água. Além, é claro, das formigas a serem combatidas. Para fazer o medicamento basta macerar algumas formigas juntamente com partes iguais de álcool a 70%, glicerina e água. Quanto mais diluído o produto, mais efetivo ele se torna. O método, no Brasil, também está sendo testado em lagartas e outros insetos pelo pesquisador da Unesp.

fonte: Panorama Brasil 23/10/2002

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