A lavoura que é um jardim

 

Agrônomo e bióloga provam que Goiás pode abastecer floriculturas, mas defendem plano de apoio

Marly Paiva

A economia rural nas proximidades de Goiânia tem seus segredos. Vez por outra vem a descoberta de alguma experiência surpreendente. Em uma delas, pequenos produtores fizeram pouco das advertências sobre a inconveniência do clima e passaram a espalhar morangos em um sítio na parte noroeste da cidade. Outra, já do lado oposto, em Hidrolândia, é a vinícola que substitui as uvas por jabuticabas. Depois nasceu a fábrica de queijos finos em escala comercial, para exportação. Agora, é acreditar que perto de Goiânia tem gente produzindo flores exóticas, difíceis de encontrar mesmo nas principais regiões floríferas do país.

A lavoura de cores e formas exuberantes fica a cerca de 15 quilômetros da capital, em Santo Antônio de Goiás. Seus proprietários, a bióloga Maria Rosa e o marido, engenheiro agrônomo Álvaro Eleutério, tiveram de desenvolver grande parte da tecnologia que utilizam. Vieram de São José do Rio Preto em 1979 e por praticamente duas décadas se dedicaram a outras atividades.

O projeto começou a ser executado em 1998 a partir da leitura de obras técnicas, visitas a áreas produtivas e, principalmente, de consultas a professores e pesquisadores. À medida que ganhava forma, a plantação cativava a família, que se tornou estudiosa da área. Um dos filhos, Sílvio Luís Eleutério, graduou-se em agronomia e recentemente concluiu estágio em agroempresas do setor na Costa Rica, um dos maiores produtores mundiais de flores. Foi em plantações costarriquenhas que o pai adquiriu boa parte dos conhecimentos.

No Sítio e Viveiro Fiore Mio, a família vive cercada de uma diversidade e helicôneas e alpíneas, de estrelícias, aspargos ornamentais, dracenas e filodendros. Há palmeiras raras e muitas outras plantas capazes de dar aparência especial a simples ramalhetes. Uma lavoura de, aproximadamente, 10 hectares que se tornou a fonte de renda de toda a família e fez do lugar, de construções modestas, um dos mais belos endereços da região.

Há plantas imponentes como o grande arbusto de folhas vistosas e flor exótica de nome bastão-do-imperador, bananeiras decorativas e a palmeira africana Bismarckia nobilis, de folha espalmada e cor meio azul, que cede folhas para decorações sofisticadas. Há chefleras, murtas e uma coleção de antúrios. Folhagem que conquista mais que dezenas de rosas e espécies das quais uma só flor vale o zêlo pela planta. Beleza, raridade e efeito decorativo fazem o preço. Uma flor pode valer menos de R$ 1,00, uma folha pode custar mais de R$ 20,00.

Trabalho e técnica
O trabalho é manual do plantio à delicada tarefa de limpeza das hastes. Os feixes prontos são acomodados em uma sala suavemente refrigerada, até o transporte para a cidade. O viveiro envolve 15 funcionários treinados no próprio sítio. Às 6 horas uma turma começa a percorrer os canteiros e a fazer a colheita. Mas não falta trabalho para Álvaro e Maria Rosa. Desde cedinho até o fim do dia, quando retornam do comércio, eles participam de tudo: planejamento, administração, assistência técnica, venda.

Ele avisa: é atividade muito exigente em tecnologia e quem se aventura deve estar disposto a buscar informações. Ressalta que o Centro-Oeste precisa buscar seus programas próprios de pesquisa e capacitar profissionais para tornar a atividade competitiva. É a contrapartida das instituições oficiais ao empreendedor rural de pequeno porte, argumentam. Manterá famílias no campo e com qualidade de vida.

No começo, o casal recorreu a várias instituições de pesquisa para aprender a lidar com plantas nativas da América Central, África e Oceania. Muitas publicações técnicas se provaram inadequadas para esta região. Mas valeram as orientações de cientistas do Instituto Agronômico de Campinas e de professores da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Os dois perceberam, ainda assim, que a aprendizagem é constante. O conhecimento profissional tem ajudado, mas capacidade de observação, sensibilidade e persistência na busca de respostas foram determinantes. Há planta que foi mudada de lugar uma vez ou mais. Outra, indicada para cultivo a céu aberto, só vicejou sob cobertura ou à meia-sombra. Por experimentação, descobriram tipo de solo, adubação e modelo de irrigação favoráveis. São experimentos que encarecem o projeto e adiam planos de redução do custo da atividade para expansão do empreendimento

Fonte: Tangará da Serra


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