Agricultura familiar produz sustentabilidade


Município de Martins, localizado no Médio-Oeste potiguar (RN), distante 362km da capital. Numa visita ao Sítio Chapéu, propriedade do agricultor Francisco Bezerra de Belos, conhecido na região como Chico Belarmino, é possível ver a sustentabilidade familiar ganhar vida. A rica produção e a união desta família acrescenta ao trabalho da Diaconia ainda mais força para continuar a desenvolver a capacidade de agricultores e agricultoras no convívio com o semi-árido, visando as transformações sociais do meio rural.

A propriedade de Chico Belarmino, herança deixada por seu pai, tem 25 hectares e grande variedade de cultivo, mas não foi sempre assim. O uso de agrotóxicos era comum para a família e, quanto mais queimada a terra, menos renda, menos sustento. Porém, como relata o próprio Chico, "mesmo na dificuldade, a gente sempre ficou unido".

Nesta entrevista, o agricultor Chico Belarmino e um de seus filhos, Arimateia, falam sobre agricultura familiar, comercialização de produtos em feiras agroecológicas e contam como a proposta da implantação de tecnologias alternativas para captação de água foi recebida pela família.


O que é cultivado, hoje, no Sítio Chapéu?

Chico Belarmino - Trabalhamos com hortaliças - cenoura, beterraba, cheiro verde, alface - frutas - melão, melancia e goiabeira - e também batata-doce, macaxeira, milho, feijão e arroz. O plantio está produzindo bastante.

Quando a experiência com agricultura familiar surgiu para vocês?

Arimateia - No início de 2000, a Diaconia apresentou à comunidade um programa de convivência com o semi-árido para a agricultura familiar. A experiência, no começo, cambaleou. Mas, hoje, graças a Deus, está num patamar bom. Antes, não tinha água e, quando nos propuseram a implantação da barragem subterrânea, a gente achava que não iria funcionar. Com o passar do tempo, vimos que funcionava. O pontapé inicial foi esta barragem e, nessa área, já tem duas delas.

Chico Belarmino - A Diaconia dava o acompanhamento técnico, ajudava a comprar o equipamento de irrigação e aí, começamos a experimentar a trabalhar sem o agrotóxico e sem as queimadas; tudo tinha que ser orgânico. Não era fácil acreditar, mas decidimos entrar para esta parceria, que deu certo.

O que vocês plantavam antes?

Chico Belarmino - Durante anos, plantamos feijão, algodão e milho, usando agrotóxicos e queimando a terra. Nesse tempo, a produção era pouca e os períodos de estiagem eram cada vez mais freqüentes. Na seca, a gente só tinha água do cacimbão, que é água salobra. Com a chegada da Diaconia, o cacimbão foi reformado e, além das barragens subterrâneas, também construímos uma cisterna de calçadão. A assistência técnica ajudou muito, a gente tomou conhecimento de muita coisa.

Então, com esta experiência e com a produção que sua família tem agora, é possível ter uma renda mensal?

Chico Belarmino - Pois é, tem as feiras agroecológicas, onde a gente vende os produtos. As pessoas procuram muito os produtos livres de agrotóxicos na feira. Sinto-me feliz, pois antes não tinha como produzir tanta coisa. A renda mensal, hoje, chega mês de apurar até 300 reais. Antes não tinha isso.

Arimateia - A comercialização dos produtos é feita na feira de Umarizal e na Comunidade do Chapéu. E, além da renda da feira, nossa produção garante o sustento da família. Somos 18 pessoas no Sítio: doze adultos e seis crianças - além de meu pai e eu, tem minha mãe, outros filhos e filhas, genros, noras e netos.

Qual a expectativa para o futuro?

Chico Belarmino - A gente produz, hoje, 35 produtos, entre frutas e hortaliças, além das criações de abelhas, para produzir mel; de galinhas; e dos 16 caprinos, quatro bois e duas vacas. Acreditamos que, até 2006, já vamos ter mais de 50 produtos para comercializar.

fonte: Boletim Informativo da Diaconia nº 03, em 04/08/05


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Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

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