Na Europa, é grande a pressão por certificação

 

As madeiras tropicais movimentam um comércio internacional da ordem de US$ 21 bilhões ao ano, no qual o Brasil participa com menos 10%. O Japão, a União Européia e a América do Norte respondem por mais de 80% desse comércio. É um negócio modesto comparado ao estrago que provoca nas florestas tropicais ao redor do planeta.

No mercado europeu, a pressão dos consumidores contra os produtos de madeiras tropicais extraídas sem cuidados ambientais, levou a Ikea - maior rede varejista de mobiliário e decoração -, a se comprometer com a certificação independente de seus produtos com madeira.

A certificação adotada pela Ikea é a feita pelo Conselho de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council, FSC em inglês), uma iniciativa que reúne entidades empresariais e ambientalistas, na concessão de um selo de qualidade ambiental aos produtos florestais obtidos segundo as melhores práticas disponíveis.

Poucas madeireiras da Amazônia estão certificadas pelo FSC. É o caso da Mil Madeiras de Itacoatiara Ltda., produtora de madeira serrada, controlada pelo grupo suíço Precious Wood, e a Gethal, produtora de compensados sediada também em Itacoatiara (a 270 quilômetros de Manaus).

Brasil - As áreas certificadas na Amazônia somam pouco mais de 270 mil hectares, menos de um terço do total de 850 mil hectares de áreas nativas e plantadas certificadas pelo FSC no Brasil. O total de madeira certificada que essas áreas podem fornecer é menor que 400 mil metros cúbicos de toras por ano. Muito pouco comparado aos 24 milhões de metros cúbicos consumidos todos os anos, no País.

Cabe aos consumidores brasileiros mudar essa realidade. A experiência internacional mostra que são os cidadãos e cidadãs comuns os mais eficientes agentes de mudança do setor. A busca por produtos certificados abre um novo mercado para as empresas, ao mesmo tempo que a rejeição aos produtos não certificados cria um estigma para as empresas que não queiram ou não consigam obter a certificação. As mudanças são urgentes em todo o mundo. Não há floresta para mais do que poucas décadas.

fonte: Jornal Estado de São Paulo - Domingo, 4 de novembro de 2001.

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