Ex-estudante de Medicina Faz Sucesso comSítio de Alimentos Orgânicos


Confira o relato do empreendedora Marcela Kakuko Fujitani sobre o seu negócio. Ela é dona da Ecoquinta Fujitani, de Atibaia, que investe em produtos orgânicos

 

Meus pais são do Japão e trouxeram a família de lá. Meu pai estabeleceu meus avós e tios em Atibaia e foi para São Paulo. Só voltou a Atibaia quando se aposentou para trabalhar com a terra. Há nove anos, ele comprou o sítio e foi aí que tudo começou.

Eu nasci e morei muitos anos na Capital. Comecei a estudar medicina em São Paulo, mas estava em dúvida, não sabia se era isso mesmo o que queria para minha vida. Foi exatamente nessa época que meu pai adoeceu e tive de vir para Atibaia ajudar a cuidar dele e do sítio.

Em 2012, meu pai faleceu. Então, eu e minha mãe resolvemos tocar o projeto e continuar o trabalho dele. Aqui plantamos frutas e temos uma variedade grande como morango, goiaba, ameixa, pêssego, uva, laranja, banana e muitas outras.

Orgânico agora está na moda, todo mundo pensa em plantar por conta do dinheiro, mas vamos mais pelo lado da saúde, de oferecer o consumo de produtos naturais. Tentamos levar isso ao maior número de pessoas possível e em Atibaia esse mercado está crescendo.

Por incrível que pareça, para a demanda existente, ainda falta produtor; todo mês alguém vem perguntar se a gente pode fornecer para determinado lugar.

Uma das nossas dificuldades é achar mão de obra. É complicado, fazemos agricultura familiar, então às vezes ficamos sobrecarregados. Ano passado fiz um curso extensivo no Japão, com base na agricultura natural, aprendi bastante coisa e muitas técnicas. Mas, como são climas e terrenos diferentes, estamos adaptando o que é necessário.

Eu conhecia pouco sobre gestão, por isso fiz o curso do Sebrae de fruticultura no ano passado. Nele aprendi fundamentos necessários e estamos tentando aplicá-los no dia a dia. Como eu vim de uma área muito diferente, não tinha muita noção de como fazer. Comecei a ter noções de gestão, finanças, marketing, o que ajudou bastante no geral, e a experiência foi bem positiva.

Agora sabemos o que é necessário fazer e tentamos organizar mais. Antes era uma coisa às cegas. Para evitar desperdício e também para ter outra forma de aumentar nossa renda, decidimos criar uma cozinha. Quando há excedente de frutas, nós as mandamos para o processamento para fazer geleias e sucos.

A propriedade da minha família tem aproximadamente sete hectares, 2,5 apenas de plantio. Em termos de produção, em média, colhemos uma tonelada de fruta por ano.

Para produzir orgânicos é preciso ter uma certificação participativa. Produtores se reúnem em grupos, nós nos fiscalizamos para garantir que estão sendo cumpridas todas normas, desde o plantio à colheita.

A dica para quem deseja seguir nesse ramo é que uma das primeiras coisas a serem avaliadas na compra do local para o plantio é o histórico do terreno, o que passou por ele, por quanto tempo, ou seja, tem de ser feita uma avaliação geral. É preciso cuidado com os mínimos detalhes.

Pretendemos continuar nosso trabalho para levar ao máximo de pessoas mais saúde e qualidade de vida.”

Fonte:Revista PEGN em 08.11.2018

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