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Frutas e verduras de época têm menos resíduos de agrotóxicos
Orgânicos e higienização são formas de evitar consumo de resquícios de pesticidas nos alimentos

9.fev.2020 às 2h00
Tayguara Ribeiro
São Paulo

Comum em boa parte da produção de alimentos no Brasil, a utilização de agrotóxicos para evitar insetos, larvas, fungos e carrapatos deixa resíduos nos alimentos que consumimos.

“A melhor forma de se proteger e evitar a ingestão de agrotóxicos é optar pelos alimentos orgânicos, porque estes não contêm nenhum tipo de pesticida. Mas se isso não for possível, você pode optar pelas frutas, verduras e legumes de época [que recebem menos agrotóxicos na produção]”, explica Juliana Nabarrete, nutricionista e membro do comitê de nutrição da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia).

Outra medida é higienizar os alimentos com água corrente, colocá-los de molho com hipoclorito de sódio e evitar consumi-los com casca.

“Os alimentos que mais contém agrotóxicos, segundo estudos realizados pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] são: pimentão, morango, alface, pepino, abacaxi, cenoura, laranja, uva, mamão e tomate. Quando impossível realizar a aquisição de 100% das frutas, verduras e legumes de produção orgânica, invista pelo menos nesses alimentos que são contaminados e realize os procedimentos de higienização no restante”, diz.

Segundo a especialista, “a exposição aos agrotóxicos, sejam eles fungicidas, inseticidas ou herbicidas, pode causar uma série de doenças, dependendo do produto que foi utilizado, do tempo de exposição e da quantidade de produto absorvido pelo organismo”, explica.

Herling Gregorio Aguillar Alonzo, professor e pesquisador do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, afirma que é importante olhar a realidade socioeconômica do país.

“A opção é tentar reduzir os danos, porque o país não vai mudar o modelo produtivo”, avalia. Segundo ele, uma das formas de minimizar a dificuldade em comprar orgânicos é verificar se existem pequenos produtores por perto, já que estes costumam utilizar menos pesticidas.
Consumo prolongado pode causar diversas doenças

Os efeitos da exposição aos agrotóxicos podem ser agudos como irritação na pele, ardência, desidratação, alergias; ou crônicos (que aparecem após exposições repetidas a pequenas quantidades de agrotóxicos por um período prolongado). Neste caso, são doenças mais graves como câncer e infertilidade.

“Os estudos internacionais que apresentam dados de níveis seguros de exposição são questionáveis, pois nenhum ambiente está 100% livre de agrotóxicos”, analisa Juliana Nabarrete.

Segundo a nutricionista, “o uso desenfreado nos últimos anos, extremamente intensificado com a liberação no Brasil de produtos que são proibidos em outros países, criou uma contaminação desenfreada de solo, lençol freático, animais e alimentos. As grandes quantidades utilizadas das substâncias químicas já disseminadas tornaram toda a população suscetível”.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), os principais afetados são os agricultores e trabalhadores das indústrias de agrotóxicos, que sofrem diretamente os efeitos. Toda a população está suscetível a exposições, por meio de consumo de alimentos e água contaminados. Gestantes, crianças e adolescentes também são considerados um grupo de risco devido às alterações metabólicas, imunológicas ou hormonais.

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