Cultivo orgânico tem energia solar como novo aliado

 

Plantio orgânico de horticultura no Sítio Oitis, zona rural de Lavras da Mangabeira, sem veneno, com irrigação por motor movido por energia solar

Placas de energia solar utilizadas na plantação. No projeto foram investidos R$ 45 mil

Pequenos produtores rurais do Centro-Sul decidem inovar no cultivo da terra e têm a energia solar como fonte aliada

Lavras da Mangabeira. Produzir hortaliças orgânicas, irrigadas a partir de um sistema de energia solar, favorecendo o meio ambiente e a saúde dos consumidores. Esse é um modelo agroecológico que está em curso no Sítio Oitis, na zona rural deste município, localizado na região Centro-Sul do Estado. A experiência é inédita e já dá os primeiros resultados: colheita de frutos de boa qualidade, comercialização no mercado local e melhoria da renda familiar.

Diretamente são beneficiadas quatro famílias de pequenos produtores rurais, que durante décadas estavam acostumadas a produzir grãos, arroz, milho e feijão. Pimentão, coentro, cebolinha, alface, quiabo e tomate agora fazem parte do cardápio diário dos moradores da comunidade. O excedente da produção é comercializado para a cidade. A qualidade dos frutos chama a atenção dos consumidores.

O projeto foi implantado pelo escritório da Ematerce, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Coordenadoria de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e do Instituto Agropolos. Foram investidos R$ 45 mil. Os recursos foram utilizados na instalação de nove placas de energia solar, de um galpão telado (estufa), construção de uma caixa d´água com capacidade para 12 mil litros de água, aquisição de uma eletrobomba e de um sistema localizado de irrigação.

A irrigação é feita a partir de um poço já existente no sítio, que é de excelente qualidade. O projeto foi implantado numa área de meio hectare. Além das verduras, foram cultivadas mudas de goiaba, mamão e macaxeira, cuja produção deve ocorrer até o fim do ano.

"O Sítio Oitis foi escolhido porque tem solo produtivo, água e um trabalho comunitário organizado", explicou o chefe do escritório local da Ematerce, Kléber Correia.

No Ceará, há mais três projetos em andamento no Interior semelhante ao do Sítio Oitis, que partiu na frente na produção e comercialização dos frutos. Bastaram duas reuniões para sensibilizar a comunidade e em particular os irmãos, Cícero Henrique Pessoa Neto e José Pessoa, e os sobrinhos, Flávio e Wendel de Araújo. Os quatro estão administrando a produção de hortaliças.

Fator favorável

A comunidade dispõe de energia elétrica, mas a rede de distribuição fica distante 800 metros da área de produção. Isso foi outro fator que favoreceu a escolha do lugar para a implantação do projeto. O trabalho de extensão do escritório da Ematerce permitiu identificar as potencialidades do Sítio Oitis. "Um dos objetivos do programa é o fortalecimento do associativismo", lembrou Kléber.

Em janeiro passado, os canteiros de hortaliças foram erguidos, e o galpão de tela foi armado. Os frutos logo apareceram. Apesar da produção está em fase inicial, duas vezes por semana há comercialização dos produtos na cidade e nas comunidades vizinhas. Neste mês de junho, o grupo apurou R$ 900,00, mas a expectativa é de crescimento nas vendas. "Não faltam compradores, pois os produtos são de qualidade, livre de agrotóxicos", diz o produtor, Cícero Pessoa Neto.

Apesar de não fazer parte diretamente do projeto, o presidente da Associação Comunitária do Sítio Oitis, José Nailton de Alencar, avalia que a medida está num ritmo favorável. "Está bom, pois melhora a renda das famílias", disse. A dona-de-casa e irmão de dois produtores, Luíza Pessoa, contou que sempre acreditou no programa. "Alguns estavam desanimados e pedi que colocasse o trabalho pra frente", comentou.

Toda terça-feira os produtores recebem a visita do agente rural, Damião da Costa, que dá assistência técnica. "O grupo está unido, acreditando no projeto", disse. "Nos próximos meses a produção vai aumentar". Para incentivar outros agricultores, a Ematerce realizou recentemente um Dia Especial de Campo sobre o cultivo agroecológico. "A idéia deu certo e despertou interesse em outros produtores que já querem produzir sem agrotóxico", disse Costa. "Os frutos têm mais qualidade, consistência e sabor".

O mais jovem do grupo, Flávio de Araújo, 17 anos, está concluindo o Ensino Médio e tem uma expectativa dividida entre a continuidade do projeto e dos estudos. Pretende fazer um curso técnico superior na unidade do Instituto Federal de Educação Tecnológica de Cedro. É ele que faz diariamente todas as anotações sobre despesa e venda dos produtos. "Esse trabalho é diferente porque não se usa veneno e a produção agroecológica me entusiasma. Quem consome os nossos produtos não precisa ter medo".

Mais informações:

Escritório da Ematerce em Lavras da Mangabeira
Rua Coronel João Augusto, 280, Centro
(88) 3536. 1636

Fonte: HONÓRIO BARBOSA ENTRO-SUL (3/7/2009)


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Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

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