Brasil "caça" processadores de orgânicos

FABÍOLA SALANI
DA REDAÇÃO


O rdem na Alemanha é: atrair para o Brasil processadores de produtos orgânicos, para, a exemplo dos demais setores, agregar valor à pauta de exportação do setor, vendendo para o exterior produtos orgânicos mais elaborados.


Com essa visão, a Apex (Agência de Promoção de Exportações do Brasil) vai para a Biofach, a maior feira mundial de produtos orgânicos, que vai da próxima quinta-feira a domingo em Nuremberg, na Alemanha, tendo o Brasil como tema. Cerca de cem empresas brasileiras do setor devem participar do evento.

"Estamos organizando a cadeia produtiva, para transformar o orgânico num produto final, processando a matéria-prima no Brasil e exportando o produto acabado", afirmou Juan Quirós, presidente da Apex. Thomas Timm, vice-presidente-executivo da Câmara de Comércio Brasil Alemanha, dá a medida do fato de ser tema. "É o primeiro país em desenvolvimento a ser tema da feira", afirmou. E a Alemanha é um dos três maiores compradores mundiais de produtos orgânicos, segundo Quirós.


"Nossa participação na Biofach de 2003 foi com 17 empresas e foram gerados negócios de R$ 750 mil. No ano passado, fomos com 43 empresas e obtivemos R$ 15 milhões em negócios, e agora a expectativa é dobrar esses números", afirmou Quirós.

Para o presidente da Apex, a presença de três ministros brasileiros na abertura da feira -Roberto Rodrigues (Agricultura), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário)- é um demonstrativo da importância do evento para o governo. "É o primeiro evento internacional com promoção da Apex em que participam três ministros", disse.

Competição

Para ser tema da Biofach, o Brasil competiu com outros cinco países -dois da Ásia e três do Primeiro Mundo-, segundo Timm, da Câmara Brasil-Alemanha, resultado de um trabalho de quase três anos. Os outros competidores não são divulgados porque eles podem vira ser tema da feira nos próximos anos, disse.

E a importância de ser o tema da Biofach é justamente trazer os olhares dos expositores para o Brasil, para a cultura brasileira -haverá eventos culturais e eventos temáticos durante o evento. "Esperamos 4.000 visitantes no estande, mais 2.500 nos eventos temáticos e 2.500 nos eventos culturais", disse
Quirós.

Segundo Rachel Soraggi, consultora de produção orgânica que representa, entre outros, a Cia. Orgânica, de cafés, a visibilidade é quase uma recompensa pelo trabalho que vem sendo desenvolvido. "Até três anos atrás, nós participávamos da Biofach com alguns produtores pingados, perdidos no meio daquela feira imensa."

E o apoio está se dando não só pela Apex, que está investindo R$ 3 milhões nas ações de realização e promoção dos produtos brasileiros na feira, como também pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário e pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Isso porque, em geral, o setor é de pequenos produtores, que necessitam de apoio em todos os aspectos.

De acordo com dados da Apex, 79% dos produtores de orgânicos no país são de pequeno porte, e a agência investe em sua capacitação, além da ajuda na promoção comercial em si.

O Sebrae informa que está ajudando com subvenção aos custos da participação na feira, espaço de exposição, orientação para as negociações, divulgação dos produtores e articulação com parceiros. Há três anos com um projeto voltado ao setor, o Sebrae visa o mercado externo, "mas também o interno".

Segundo Jackson Teruo Ota, gerente de certificação do Instituto Biodinâmico, um dos maiores certificadores do país, muitas vezes é mais fácil vender o produto orgânico no mercado externo do que no interno -onde ainda não há regulamentação para o setor. "No país, é relativamente recente a atenção dispensada para esse tipo de produto e ainda o consumidor que o compra é aquele com alto poder aquisitivo e maior informação, não há ainda cultura voltada para isso", afirmou.

Produtos

Segundo a Apex, entre as novidades a serem mostradas na Alemanha estão o camarão, o vinho e tecidos. A cachaça, que já é um produto de sucesso na Alemanha, também será levada com produção de acordo com os processos definidos como orgânicos. A Cia. Orgânica está levando sua linha de cafés especiais com um atrativo a mais aos olhos daquele país: o lançamento do selo café-social, com o repasse de uma verba fixa por venda para capacitação dos produtores.

Outra novidade que a Apex quer mostrar na Biofach são os óleos comestíveis, como o óleo de palma, que a Agropalma vai levar. "De 12% a 13% do que produzimos é orgânico", disse Marcello Brito, da empresa. E, já como exemplo do que pretende a Apex, a Tropivita leva sua linha de geléias, cafés e doces de banana -é uma empresa fundada no Brasil por um alemão e um americano voltada quase que inteiramente para o mercado externo, trabalhando apenas com produtos já processados.

Fonte::Folha em 18/10/2003 por Daniel Guimarães

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