Economia no cultivo da soja orgânica

 

Sem agrotóxicos, o custo de produção caiu 60% na lavoura de Miazaki, em Assaí. Ele faz agricultura ''tentando imitar a natureza''.

Érika Pelegrino
Reportagem Local

Preocupado com a preservação ambiental e a qualidade de vida, o produtor agrícola Jonas Miazaki, começou a ensaiar os primeiros passos na agricultura orgânica no início da década de 90. Por conta própria, foi diminuindo a quantidade de agrotóxicos no controle de pragas e doenças. No Brasil, o início do movimento orgânico foi na década de 70. Em 1990/2000 houve a expansão do mercado e muitos produtores se lançaram definitivamente nessa alternativa. A exigência de mercado, o aumento da demanda, o preço até 44% mais alto que o pago pelo grão convencional foram determinantes também para Jonas Miazaki que já era adepto da filosofia do cultivo de orgânicos.

Em 1997, o Sítio Miazaki, no município de Assaí (36 km a leste de Londrina) passou a produzir soja orgânica. O Instituto Biodinâmico (IBD) fez um histórico da propriedade, o acompanhamento do período de conversão (que dura de dois a três anos) e Miazaki passou a plantar 15 alqueires de soja orgânica, que produzem 1.500 sacas (90 toneladas).

O agricultor segue as exigências do IBD que são, entre outras, a criação de uma barreira natural na divisa da área de cultivo orgânico (Miazaki plantou napiê e milho), controle biológico de pragas e doenças; sementes orgânicas, adubação verde, rotação de culturas, plantio direto, além da não utilização de agrotóxicos no controle de pragas e de mato. Miazaki afirma que em sua propriedade o plantio direto está em experimento com orientação do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Para ele, a técnica do cultivo de orgânico não é mais ''trabalhosa''. ''O que mudou basicamente é a observação para o controle de pragas, que tem que ser bem maior'', afirma.

O produtor observa constantemente a plantação para ver se há infestação de inimigos naturais (vespinha e percevejo, no caso da soja). ''Se a quantidade não é grande, não preciso interferir. Se infesta muito eu aplico produtos biológicos''. Miazaki afirma que já houve safras que não precisaram nem utilizar os produtos biológicos; a própria natureza se encarregou do controle.

Se aumenta a quantidade de lagarta, Miazaki aplica o baculovírus. ''Ao aplicar veneno para matar a lagarta, não terá vespinha para matar o percevejo e será necessário aplicar mais veneno'', explica. Na safra passada, para prevenção ele utilizou isca atrativa para percevejo. Depois de 40 a 50 dias do plantio, foram colocados recipientes (garrafas PET) com sal, água e NIM, a uma distânica de 15 metros cada uma, em torno de toda a área plantada.

Sem agrotóxicos, os custos da produção, segundo Miazaki, caíram entre 60% e 70%. ''Gasta-se muito com venenos'', afirma. Como o lema na agricultura orgânica é imitar o máximo possível a natureza, dos 15 alqueires de soja, 20% a 25% são reservados para rotação com o milho. ''A monocultura
não é boa. A natureza não tem só uma cultura, por isso é importante a rotação'', explica.

O cuidado com o solo segue a mesma filosofia. É feita a adubação verde, com o plantio de tremoço, aveia, azevem e nabo; o solo é roçado para a terra não ficar desprotegida contra o impacto de sol e chuva e em seguida é colocado material orgânico em cima da terra, para conservar a umidade.
''Desta forma, na estiagem a terra não sofre tanto'', explica Miazaki.


fonte: Folha de Londrina, 22/06/02


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