Biodiesel pode contribuir para fortalecimento econômico de países em desenvolvimento, diz Lula

Brasília – Ao participar, hoje (3), da cerimônia de assinatura de contrato para a compra de biodiesel pela Petrobras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o combustível pode contribuir para o fortalecimento econômico dos países em desenvolvimento.

"Eu acho que a África e a América Latina têm no biodiesel a solução para oferecer ao mundo desenvolvido uma alternativa menos poluente, mais geradora de empregos, portanto, com mais distribuição de riqueza e, sobretudo, uma coisa que pode distribuir a riqueza no mundo com muito mais justiça", afirmou.

De acordo com o presidente, há espaço no mercado mundial para fontes renováveis de energia, como o biodiesel, que é produzido a partir de plantas oleaginosas, como mamona, soja, girassol e dendê. Ele ressaltou que é preciso investir em pesquisa para desenvolver a produção para que o biodiesel se transforme em produto de exportação.

"A pesquisa é condição sine qua non [indispensável] para o Brasil consolidar a sua posição de país que apresenta ao mundo, no Século 21, a mais sólida alternativa para o trânsito dos nossos carros e ônibus e tantas outras coisas. Uma alternativa ao petróleo, que é o biodiesel".

Lula disse que tem procurado mostrar as vantagens do biodiesel a todos os presidentes com quem tem se encontrado nos últimos dois anos. Segundo ele, o biodiesel e o programa Fome Zero são os dois principais temas nas conversas. "Um era a comida principal e o outro era a sobremesa", brincou.

Com o presidente norte-americano, George W. Bush, por exemplo, ele disse que conversou durante 40 minutos sobre o biodiesel. Ele contou que leva sempre na bagagem uma foto da mamona e que deixa na mesa de seu gabinete um pequeno kit com amostras de algumas oleaginosas usadas na produção do biodiesel.

O presidente disse que o objetivo é estimular parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras para substituir gradativamente o petróleo por biodiesel. "Está ficando caro - o petróleo era muito maravilhoso quando era barato. Mesmo assim, não há perspectiva de que o petróleo vá baixar, parece que as pessoas gostaram do preço alto".

Lula mostrou-se satisfeito com a concretização do programa do biodiesel, que começou a ser discutido há dois anos. Ele lembrou que, desde a descoberta do biocombustível pelo pesquisador cearense Expedito Parente, passaram-se 22 anos. "Hoje é um daqueles dias em que a gente acorda dizendo: valeu a pena. É um daqueles dias em que nós nos sentimos orgulhosos de ser brasileiros, e me sinto muito mais orgulhoso de estar exercendo o mandato de Presidente da República deste país e poder viver a assinatura de contratos que aqui foi feita entre a Petrobras e as empresas que estão produzindo biodiesel", afirmou.

Depois da cerimônia, Lula recebeu em seu gabinete o governador da Paraná, Roberto Requião, a quem apresentou o kit de oleaginosas. Desavisado, o governador provou as amostras de mamona, quando foi alertado por Lula de que elas são tóxicas. O episódio ocorreu no início da reunião, no momento em que a imprensa fazia as imagens do encontro.

Fonte:Agência Brasil em 03/02/2006 por Cecília Jorge e Juliana Andrade

 

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