Produtos biológicos duplicam vendas em ano de crise


Uma empresa familiar da Lourinhã apostou na produção e comercialização de hortícolas biológicos e, apesar da crise, duplicou a facturação no último ano, atingindo um milhão de euros.

A empresa é gerida por três irmãos, emprega 15 pessoas e aumentou as vendas desde que conseguiu colocar os produtos em duas grandes superfícies da capital, estando até aqui limitada à venda dos produtos em lojas especializadas, directamente a consumidores que faziam encomendas de cabazes ou em mercados.

«Tínhamos começado por apostar nas pequenas lojas mas percebemos que para chegar a um grande número de consumidores era melhor tentarmos as grandes áreas comerciais», contou à Lusa Vítor Gomes técnico de agricultura biológica e um dos três proprietários da empresa.

«Neste momento os supermercados querem ter produtos biológicos e estamos em negociações com vários» adiantou o empresário mostrando-se optimista com a hipótese de vir a aumentar as vendas na ordem dos 25 por cento.

A empresa dedica-se 100 por cento à agricultura biológica desde 2001, é certificada e produz em 27 hectares, na sua maioria terrenos arrendados, várias qualidades de couves, batata, abóbora, cereais, tomate, alface, cebolas, courgette, beringela entre outros.

A quinta onde se situa a empresa também recebe com frequência visitas de estudo de alunos a quem os irmãos explicam os métodos de produção, directamente no terreno, acreditando que os jovens «virão a ser os novos consumidores», disse Rui Gomes, co-proprietário.

Nas “aulas” de campo explicam que adubam as terras com estrume e que utilizam produtos, como o enxofre, mas de forma natural sem ser manipulado, uma forma de produzir que permite estar no «terreno sem máscaras, sem luvas e sem problemas respiratórios ou de pele», disse Vítor Gomes.

Os produtos acabam por precisar de mais tempo para crescer como é o caso das alfaces que na agricultura convencional são produzidas em apenas três semanas e na biológica necessitam do dobro do tempo.

Na agricultura biológica são utilizadas ervas e animais do campo em proveito das plantações, explicando que nunca matam uma cobra porque ela come ratos e assim estes já não comem as batatas ou que as urtigas colocadas em água libertam um ácido que depois é aplicado, consoante as necessidades, como repelente de insectos ou fertilizante, um método vantajoso no que diz respeito à poupança nos custos de produção.

A empresa pensa agora em começar a exportar para o Reino Unido, Alemanha e Holanda e está a elaborar um projecto para a construção de armazéns com condições de armazenamento dos produtos.

Fonte: Lusa em 30-01-2009


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