Desvendando os produtos orgânicos

Alimentos cada vez mais procurados pelos consumidores nos supermercados, os orgânicos são definidos pela legislação brasileira como produtos de um sistema de produção agropecuária no qual são adotadas técnicas que otimizem o uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e mantenham o respeito à integridade cultural das comunidades rurais. Tudo isso para garantir a sustentabilidade econômica e ecológica, maximizar os benefícios sociais e diminuir a dependência do uso de energia não-renovável, sem o uso de materiais sintéticos e organismos geneticamente modificados. Saiba mais sobre os orgânicos:

. Um alimento orgânico é aquele produzido num sistema sem a utilização de agrotóxicos (inseticidas, herbicidas, fungicidas e nematicidas) e outros insumos artificiais tóxicos (como adubos químicos), sem organismos geneticamente modificados ou radiações ionizantes.

. Pesquisas mostram que o principal motivo para os consumidores adquirirem alimentos orgânicos é a preocupação com a saúde pessoal e da família. Outras razões são a preocupação com o meio ambiente e a preferência por alimentos mais frescos e saborosos.

. Um estudo do pesquisador Ulrike Mäder, da Universidade de Greifswald, na Alemanha, apontou melhor estruturação de solo e infiltração de água nos sistemas de produção orgânica. Neles, foi registrada uma presença de micorrizas (fungos que se encontram em simbiose com as raízes das plantas) de 30% a 40%8 maior do que nos sistemas convencionais. Também foi encontrada uma quantidade maior de biomassa microbiana e um nível de atividade enzimática entre 30% e 85% mais alto.

. Alguns estudos mostram que a produção orgânica traz benefícios ao solo, água, qualidade do ar e qualidade de vida do produtor e do consumidor. Também existem pesquisas apontando os males causados pelo consumo de produtos com agrotóxicos. "Mas ainda não foi realizado nenhum estudo epidemiológico em populações comparando aqueles que se submeteram a uma dieta orgânica com os que tiveram uma dieta convencional", revela o engenheiro agrônomo Moacir Darolt. "Todavia, não é preciso ser acadêmico para saber que 'comer veneno pode fazer mal à saúde'. Quem acha que comer um tomate convencional, que recebe em média 40 pulverizações por agrotóxico, não mata ninguém, deve lembrar que uma pessoa de 70 anos come em torno de 25 toneladas de alimentos", completa.

. Uma pesquisa realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, mostrou que 22,17% das frutas, verduras e legumes produzidos em sistemas convencionais e vendidos em supermercados de quatro Estados (São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Pernambuco) apresentavam irregularidades graves, como índices de agrotóxicos acima do limite permitido pela legislação e produtos não autorizados pela alta toxicidade.

. Em compensação, algumas substâncias naturais permitidas na produção orgânica, que também podem ser tóxicas, deveriam ser monitoradas assim como é feito com outros elementos na produção convencional. "Isso para que se consiga uma melhor qualidade biológica dos alimentos", conclui.

Fonte: Revista Galileo 174 - 01/06/2005


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