Sobra consumo e falta oferta de orgânicos em Maringá


Diferente do que acontece no âmbito nacional, onde o mercado de alimentos orgânicos cresce a taxas invejáveis entre 20% e 30% ao ano, em Maringá está estagnado, embora o potencial de consumo seja o dobro ou até o triplo. A estagnação deve-se à falta de condições de aumentar a produção, que continua basicamente a mesma há pelo menos 10 anos.

Para o engenheiro agrônomo Jorge Ogassawara, da Emater, principal incentivador da produção de orgânicos na região, “consumo tem de sobra, o que falta é oferta, principalmente por falta de assistência técnica”. Segundo ele, entre todos os órgãos envolvidos com o setor produtivo, apenas três técnicos da Emater atendem os produtores orgânicos nos 30 municípios polarizados por Maringá, ele próprio em Maringá, outro em Mandaguari e o terceiro em Marialva.

“As pessoas que se dedicam à produção de orgânicos geralmente são da agricultura familiar e precisam de assistência constante, o que é praticamente impossível para apenas três técnicos em 30 municípios”, diz, lembrando que a agricultura orgânica requer compromisso e dedicação do produtor, muito mais do que a produção convencional.

Outro problema citado por Ogassawara é que não existe uma área específica para a agricultura orgânica e assim as poucas propriedades dedicadas à atividade estão cercadas por grandes fazendas onde se pratica a agricultura extensiva, geralmente com aplicação excessiva de venenos. “Na nossa região, nas terras revezam-se a soja e o milho, que requerem grandes cargas de defensivos. Assim, os insetos deixam de atacar estas culturas, mas selecionam outras, geralmente optando por aquelas em que não haja veneno.

“A produção orgânica em Maringá é tão pequena que nem chega aos supermercados interessados em oferecer a opção sem veneno a seus clientes”, diz o produtor Sérgio Suzuki, que junto com o irmão Robertson produz em 10 hectares na Estrada Bandeirantes. Tudo que é produzido pelos irmãos é comercializado na Feira do Produtor e nas Feiras Verdes, mesmo mercado utilizado pelos demais produtores orgânicos.

Segundo Suzuki, a produção livre de veneno vale a pena financeiramente, primeiro por ter mercado garantido, segundo porque, diferente da produção convencional, os orgânicos não sofrem grandes variações de preços. “Muita gente pensa que os orgânicos são mais caros, mas é engano: é o convencional que sobe e desce de acordo com os excessos ou falta de produção”. Segundo ele, se os produtores de Maringá produzissem três vezes mais, venderiam tudo “porque há consumidor interessado”. Para ele, a produção é pequena e poucos se interessam pela atividade porque dá muito trabalho e há pouca assistência técnica. Outro problema é a falta de mão de obra. Como em Maringá é grande a oferta de empregos no comércio, indústria e prestação de serviços, não sobram pessoas dispostas a trabalhar como empregado ou boia-fria nas pequenas propriedades rurais.

Brasil cresce mais

De acordo com os registros do projeto Organics Brasil, nos últimos anos o crescimento do mercado brasileiro de alimentos orgânicos variaram entre 20% e 30%, índice considerado muito bom, já que globalmente o crescimento fica entre 5% e 11%. Isto significa que no Brasil o crescimento chega a quase três vezes mais do que no resto do planeta, embora o país ainda represente menos de 1% da produção e do consumo mundial.

Entre os alimentos que devem ampliar o faturamento dos orgânicos a partir deste ano estão produtos lácteos e de origem animal, com maior valor agregado.

Fonte:O diário.com em 4 de janeiro de 2017 por Luiz de Carvalho


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