Americanos fazem "corrida ao ouro orgânico" em solo cubano


Ser uma autoridade de agricultura em Cuba atualmente é como viver em uma cidade turística que todos seus amigos querem visitar. Você raramente tem um momento para si mesmo.

Por meses, os gabinetes do governo de Havana e suas fazendas urbanas mais bonitas têm estado repletas de burocratas americanos, vendedores de sementes, executivos de empresas alimentícias e produtores rurais, que passam suas noites fazendo refeições preparadas com ingredientes frequentemente importados ou contrabandeados para restaurantes que a maioria dos cubanos não tem dinheiro para frequentar.

Eles buscam os prêmios que provavelmente virão caso os Estados Unidos suspendam suas restrições comerciais contra Cuba: nova oferta de açúcar, café e produtos tropicais, um novo mercado para as exportações americanas que pode render mais de US$ 1,2 bilhão por ano em vendas, segundo a Câmara de Comércio dos Estados Unidos.

Mas para alguns, a busca envolve menos dinheiro e mais o que alegam ser a alma da agricultura cubana e a forma como o povo come.

"Os cubanos não gostam da ideia de um Burger King em cada esquina ou da presença da Monsanto aqui", disse a deputada Chellie Pingree, democrata do Maine, uma produtora rural orgânica.

Em maio, Pingree liderou uma coalizão de líderes do setor orgânico, chefs e investidores em uma visita de cinco dias aqui.

A missão deles, em parte, era encorajar as autoridades cubanas a resistirem aos encantos dos interesses do grande setor agrícola e alimentício americano convencional e persuadir os cubanos a protegerem e ampliarem as práticas orgânicas de pequena escala, que já fazem parte de seu cotidiano.

Cuba é um raro oásis de agricultura orgânica sustentável. Por razões políticas, geográficas e filosóficas, o país foi forçado a abandonar grande parte de sua agricultura de grande escala, dependente de produtos químicos, e substituí-la por uma rede de fazendas menores e métodos mais naturais.

Pouco depois da revolução em 1959, Cuba começou a enviar açúcar, tabaco e pesquisa para a União Soviética, em troca de um fornecimento constante de bens que incluíam alimentos, equipamentos agrícolas e produtos químicos agrícolas. Mas 30 anos depois, após o colapso do bloco soviético, o fornecimento cessou.

Sem combustível e peças sobressalentes, os tratores deixaram de ser utilizados no campo. Plantações foram perdidas e o gado morreu. Estudos mostram que o cubano comum perdeu mais de 5 quilos durante aquele que o presidente Fidel Castro chamou de "período especial em época de paz".

Fonte: The New York Times por Kim Severson en 27/06/2016


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