Produção de orgânicos cresce no Amazonas e busca outros avanços



Apesar de ainda considerado ‘tímido’ em relação a outras capitais, número de produtores aumentou de 10 para 70

Em um ano, o número de agricultores aptos a vender produtos orgânicos no Amazonas saltou de aproximadamente 10 para 70. A quantidade ainda é considerada muito pequena comparada a outras regiões do País e levando em conta o potencial que o Estado tem. Mas esse cenário pode ser ampliado ainda mais a partir da implementação da Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Peapo) do Estado, que está a um passo de ser aprovada.

Para o coordenador da Comissão de Produção Orgânica do Amazonas (CPOrg/AM), Eric Brosler, a minuta da lei que cria a Peapo, que foi aprovada na última segunda-feira em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), representa um grande passo para o avanço do setor na região. “É um momento muito importante porque não tínhamos nada institucionalizado. Mas, agora, a ideia é formalizar essa política para conseguir os avanços”.

A Peapo ainda deve passar por três comissões na Aleam para, só depois, ser sancionada pelo Governo do Estado. Conforme a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), Elisa Wandelli, o próximo passo é criar o Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica. “É o plano que estabelece as ações e metas de produção, comercialização, assistência técnica, ensino e pesquisa, entre outros, que promovam o fortalecimento dos agricultores e da produção de alimentos saudáveis”.

Mas ainda há muitos desafios para que o setor agroecológico e orgânico continue avançando no Estado. Um deles, de acordo com Elisa, é que a agroecologia trata do desenvolvimento da sociedade como um todo e não apenas só do setor primário. “O desafio é a transversalidade porque não é só melhorar a qualidade dos produtos que vão à mesa das pessoas ou do meio ambiente, mas também da educação, da saúde, do transporte, entre outros”, apontou.

Desafios locais Para o também pesquisador da Embrapa Nestor Lourenço, o desafio para a implementação da Peapo é maior pelas características da realidade local. Por conta disso, ele defende que a lei precisa ser mais discutida antes de ser sancionada e que outras ações deveriam ser feitas antes dessa aprovação para estimular a produção de produtos agroecológicos e orgânicos no Amazonas, como a desburocratização do processo de certificação orgânica.

O especialista afirma que o governo local deveria fazer como o de Paraná que pegou para si e bancou toda essa certificação elevando a produção e exportação de seus produtos. O Rio Grade do Sul Também segue o mesmo caminho assim como Pernambuco, entre outros. “Também precisa ser feito um mapeamento sobre onde comprar produtos orgânicos. Não precisa ter pressa com a lei, que é uma ferramenta de um processo”, pontua.

Amplo debate Para o pesquisador Nestor Lourenço, a preocupação maior é realizar, ou seja, fazer a produção agroecológica acontecer, e não a colaboração no processo ou a pressa em aprovar a lei. “Dois anos é um espaço bom para discutir essa lei”, observa. “É preciso uma maior discussão antes que essa política seja criada. Tem que ouvir os agricultores do interior, pois a produção do Estado não está na capital. Não dá para pegar uma lei de fora e imitar porque temos características totalmente diferentes”, conclui.

Lourenço lembrou que, no âmbito federal, foram dois anos e meio para construir a legislação. “Foi um trabalho sério. Teve vários seminários regionais. Aqui, deveriam seguir esse mesmo modelo. Fazer, no interior, seminários locais ou audiências públicas para discutir a criação dessa política que vai mexer e beneficiar o homem do interior. É uma iniciativa boa da comissão, mas as discussões não podem ficar restritas a Manaus, que não tem produção agroecológica e extrativista”.

Fonte:A critica em 22/10/2016 por Silane Souza


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