Falta de linha de crédito trava crescimento da produção de alimentos orgânicos em Mato Grosso

O Estado é responsável por um quarto das unidades produtivas de tais alimentos na região Centro-Oeste.

A ausência de linhas de crédito voltada para a produção de alimentos orgânicos trava a atividade em Mato Grosso. O Estado é responsável por um quarto das unidades produtivas de tais alimentos na região Centro-Oeste. Conforme produtores, outro ponto que impede a atividade é a falta de capacitação.

O Brasil em 2016 registrou faturamento de R$ 3 bilhões no setor de orgânicos, de acordo com o presidente do Conselho Nacional de Produção Orgânica e Sustentável (Organis), Ming Liu. O volume, diz ele, é superior aos R$ 2,5 bilhões de 2015. O Brasil é conhecido, principalmente, pelas cadeias de produtos do açúcar, castanhas, óleos, frutas e mel.

Dados da Organis revelam que em Mato Grosso existem 133 Unidades de Produção Orgânica. Ao todo no Centro-Oeste são 524 Unidades.

No Assentamento Agroara (Horta Agroara), situado na região de Poconé, dos cerca de 10 hectares produzidos por famílias de pequenos produtores apenas três hectares são destinados para o cultivo de produtos orgânicos, como verduras e tomate. A área com orgânicos está sob a responsabilidade de seis famílias, que possuem selo de produção. Moises dos Santos é um dos produtores de orgânicos e, segundo ele, um dos fatores que gera dificuldade na atividade e, principalmente, para o seu crescimento é a questão financeira.

“Investimento faz gerar investimento/rentabilidade. Se nós tivéssemos o apoio de alguma linha de crédito eu poderia investir melhor em técnicas de produção”, pontua Moises ao Agro Olhar.

Outro ponto que impede o crescimento da produção de alimentos orgânicos é a falta de capacitação. O agrônomo e proprietário da horta Terra Estrela, Egon Nord, comenta que “há capacitações aos poucos surgindo por parte de ONGs, associações e trabalhos isolados”.

Há quatro anos produzindo alimentos orgânicos em Várzea Grande, sendo dois com selo, Egon Nord comenta que no comparativo com uma horta convencional, na orgânica o que encarece o custo de produção é a mão de obra.

Comercialização

A comercialização dos produtos orgânicos dos produtores na região da Baixada Cuiabana é realizada em feiras, restaurantes, supermercados e até mesmo por meio de assinatura.

Os produtos da Horta Terra Estrela, segundo Egon Nord, são comercializados no próprio local de produção e em um supermercado da Capital.

Já os produtos da Horta Agroara, conforme Moises dos Santos, em restaurantes da Baixada Cuiabana, na Ecofeira que ocorre toda sexta-feira na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio de um programa da Faculdade de Agronomia, e também através da Sociedade Orgânica, um site de assinatura de produtos orgânicos que surgiu há cerca de um ano pelas mãos dos sócios Alexandre Bernd e Rock Hans.

Alexandre Bernd explica que o site de assinatura Sociedade Orgânica surgiu diante a dificuldade em se encontrar produtos orgânicos para comprar em Cuiabá. Ele e Rock Hans comentam que as entregas ocorrem em Cuiabá e Várzea Grande e os produtos enviados variam conforme a produção.

Os donos do site Sociedade Orgânica revelam que o número de novas assinaturas crescem entre 8% e 10% ao mês. “Essa busca pelo orgânico tem aumentado devido a procura de algo saudável”.

Produtos à base de orgânicos

Há aproximadamente seis meses Luiz Rodrigues e a esposa Márcia Rodrigues começaram a trabalhar com vendas de pães e bolos orgânicos. Eles são proprietários da Dile Confeitaria. Luiz comenta que iniciaram a produzir pães e bolos orgânicos diante incentivo da filha Wanessa.

“A cada dia surgem pessoas querendo os produtos. As pessoas estão mudando seus hábitos alimentares, conforme surgem novas informações”, comenta Luiz. O pão comum orgânico custa R$ 15.

Fonte: Olhar Direto em 27/02/2017


Leia Mais:



SIGA NOS

-->