Cooxupé busca soluções para aprimorar a agricultura sustentável



Com cerca de 150 profissionais, o corpo técnico da Cooxupé é constantemente atualizado para levar até os 12 mil cooperados da maior cooperativa de café do mundo, as mais recentes tecnologias e ações no campo. Na última semana, entre 25 e 28 de junho, a equipe se reuniu em Guaxupé, Sul de Minas Gerais, sede da cooperativa, para debater algumas dessas novas técnicas que auxiliam, principalmente, em uma lavoura mais sustentável, diminuindo o impacto ambiental e promovendo a qualidade de vida no campo.

Segundo o Superintendente de Desenvolvimento do Cooperado, José Eduardo Santos Júnior, a preocupação com a sustentabilidade é uma constante dentro da cooperativa. “Nossa responsabilidade maior é mostrar aos cooperados que eles podem e devem ter resultado econômico favorável em sua atividade, mas nunca esquecer das questões sociais e ambientais. O equilíbrio desses fatores traduz em qualidade de vida para os produtores e suas gerações futuras”, avalia.

Entre as principais ações difundidas, de acordo com o coordenador de Desenvolvimento Técnico da COOXUPÉ, Mário Ferraz, estão as práticas de plantio que utilizam menos agrotóxicos, aumentam a produtividade e não agridem o meio ambiente. “A agricultura brasileira não para de evoluir e é dever da Cooxupé Levar ao cooperado as novas tecnologias que estão sendo aplicadas na lavoura. São ações e conceitos que diminuem o uso de insumos agrícolas, economizam água, aumentam a produtividade e protegem o solo”.

Para Ferraz, o objetivo tanto do workshop quanto dos eventos e informativos realizados dentro da cooperativa é promover conhecimento para todos os tipos de produtores – do menor até o maior. “Cerca de 80% dos nossos cooperados são pequenos produtores que trabalham com agricultura familiar. Por isso, a maioria dos projetos que apresentamos podem ser adequados de acordo com o perfil de cada propriedade”, conta.

Menos água e mais recurso na produção do Cereja Descascado.-Entre as diversas palestras realizadas pelo Workshop estava a de “Reutilização da água residuária no processamento de café”. Ministrada por uma equipe de pesquisadores da Embrapa Café, além da palestra, agrônomos e cooperados da COOXUPÉ puderam acompanhar o funcionamento do SLAR – projeto desenvolvido pela equipe que reutiliza a água utilizada no processamento do Cereja Descascado por, pelo menos, três vezes, gerando economia no processo.

Segundo Sammy Fernandes, um dos responsáveis pelo projeto, a técnica é fácil de ser aplicada pelos produtores e, além de reutilizar a água, diminuindo drasticamente o consumo (em alguns casos até 90%), a água residuária não precisa ser descartada, podendo ser aproveitada pelo produtor para irrigação da lavoura. “É um projeto viável – fácil e barato – e que pode ser utilizado por pequenos e grandes produtores. A técnica é tão simples que, assim que o produtor tiver conhecimento, ele poderá criar um outro projeto, inspirado no que desenvolvemos, e aperfeiçoá-lo”, conta.

A demonstração do SLAR aconteceu na Fazenda São Joaquim, que utiliza um processo parecido para reutilizar a água utilizada na lavagem do Cereja descasado. Segundo o produtor e cooperado da Cooxupé, Marcelo Pasqua, a ideia veio depois de algumas viagens e palestras. “Utilizo uma técnica parecida há cerca de 5 anos, mas vou aperfeiçoar o projeto com a demonstração dos pesquisadores”, avalia. Além de aproveitar a água, o produtor utiliza a casca do cereja descascado (retirada no processo) como adubo, misturando com esterco de galinha.

Imitando a floresta.-Plantio direto, controle biológico, preparação do solo, entre outras técnicas têm contribuído para uma produção cada vez mais sustentável e sem a utilização de agrotóxicos, inclusive na lavoura de café. Segundo Ferraz, a preparação do solo, por exemplo, passou por uma série de quebra de paradigmas. “Antigamente o cafeicultor, antes de plantar, revirava todo o solo, correndo um grande risco de erosão. Com as novas tecnologias e máquinas apropriadas, o produtor aprendeu a deixar uma camada no solo que protege a raiz das plantas e contribui para uma terra nutrida”, analisa.

Outra ação modificada neste processo foi o plantio direto, que segue a lógica de uma floresta. “O material orgânico das próprias plantas se transforma em adubo, reduzindo o uso de insumos e controlando processos de erosão”, revela.

As plantas de cobertura também auxiliam as lavouras, através de uma técnica que pode utilizá-las em qualquer momento do ciclo de cultivo do café e com resultados imediatos, combatendo os nematoides, umas das principais pragas do café, e diminuindo o uso de agrotóxicos.

Fonte: Revista Fator em 05/07/2012


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É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

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