Alimentos Orgânicos

 

A autora, nutricionista da Feira dos Agricultores Ecologistas de Porto Alegre, contesta matéria publicada no jornal Zero Hora.

Por Herta Karp Wiener

“Nem tão saudáveis” é o título da matéria sobre alimentos orgânicos publicada na contracapa do caderno “Vida” em 29 de agosto de 2009. O texto segue afirmando que os alimentos orgânicos não oferecem benefícios significativos à saúde, alegando, como único argumento, a diferença em vitaminas e minerais a mais em relação aos produzidos convencionalmente ser muito pequena, conforme a pesquisa independente da Food Standart Agency.

E foi só! O restante do artigo, que ocupou toda a página, fala em contestações de diversos grupos interessados, produtores, estudiosos e outros. Conta sobre outros trabalhos que tiveram resultados diferentes, positivos no caso, e termina citando o penúltimo, que comprovou a superioridade absoluta dos orgânicos até em dosagens de vitaminas e minerais.

Só que isso tudo foi escrito em letrinha miúda, enquanto que o título estava em letras grandes, e destacadas por cores diversas. É óbvia aqui a intenção, mesmo sem qualquer prova de laboratório....

Mas tudo bem. Na verdade fico até contente com esta oportunidade que se oferece, de prestar mais esclarecimentos a respeito, visto que recentemente tive a sorte de me inteirar bem do assunto.

Prestei assistência a duas formandas de Nutrição da PUC, cujo trabalho de diplomação versava exatamente sobre o assunto. Assisti as apresentações do trabalho, e estou com a cópia dele na minha frente. Tem três páginas só de referências de autores-cientistas das mais diversas procedências. Quanto trabalho! Quanta riqueza de informações! Quanta pobreza!

E é nisso que vai resultar qualquer trabalho baseado exclusivamente nos dados estatísticos, sem considerar outros fatores que o envolvem... Principalmente tratando-se de algo vivo, da vida em geral.

Na pesquisa 3 autores constataram diferença muito baixa, já outros 5 diferença enorme, outros ainda uma vez baixa e outra vez bem mais alta. O jeito foi tirar uma média, e nada mais duvidoso que uma média.

As variantes são incontáveis. Trata-se do solo, do clima, de mudanças inesperadas, dos próprios plantadores, da moral dos mesmos, e muitos outros, ainda desconhecidos. Uma pesquisa exige que todos os fatores sejam constantes e perfeitos. E na natureza é justamente o que eles não são.

Considero que um trabalho deste tipo de pesquisa, para apresentar resultados satisfatórios e condizentes com a realidade, deve apoiar-se nestes dois pilares: CIÊNCIA E A NATUREZA. Esta é a receita merecedora de credibilidade.


Fonte: EcoAgência > Artigos em 04 de Setembro de 2009- <http://www.ecoagencia.com.br/?open=artigo&id===AUVVEeWtWOXJFbZpXTWJVU>


Leia Mais:



Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

Siga-nos Twiiter rss Facebook Google+