Compostagem é alternativa para transformar lixo orgânico em adubo


Goiânia produz 1,2 mil toneladas de lixo orgânico por dia e 60% dessa quantidade pode ser reutilizada

Dados da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) apontam que a Capital produz, em média, 34,6 mil toneladas de resíduos orgânicos por mês, o que equivale a 1,2 mil toneladas por dia, que são encaminhados para o aterro municipal. E, segundo estimativa da Prefeitura, 60% desse lixo, que é orgânico, poderia ser reutilizado.

“Quando a população faz o seu papel, consequentemente diminuímos o impacto ambiental. Por isso, há muito a se fazer, pois mesmo separando esses materiais, muitos cidadãos ainda deixam os dejetos juntos, fazendo com que esse material perca todo o valor”, afirma o presidente da Comurg, Denes Pereira.

De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), diariamente o brasileiro produz em média mais de um quilo de lixo.

Para evitar esses problemas e proporcionar uma vida útil mais longa aos aterros, uma solução encontrada é o processo de compostagem, que é o processo biológico de reciclagem da matéria orgânica.

Com o objetivo de minimizar a geração de resíduos na cidade, uma iniciativa nas Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa-GO), em parceria com a Neo Organic, empresa responsável pelo processamento do lixo orgânico, busca um novo destino para o lixo orgânico que provém dos rejeitos de frutas, legumes e verduras comercializados na unidade.

A iniciativa resulta no processamento de 30 toneladas de resíduos orgânicos por dia e transforma esse material em adubo orgânico. No entanto, o objetivo, segundo o ex-presidente da Central e idealizador da parceria, Denício Trindade, é aumentar o números e processar cerca de 100 toneladas por dia. “Queremos fazer nossa parte e minimizar o impacto ambiental, além de desafogar o descarte de material que pode ser reaproveitado pelos produtores da Ceasa”, explica.

De acordo com a Neo Organic, o processo é novo, utiliza tecnologias ainda pouco difundidas no Brasil e não tem geração de odor ou chorume. Em cinco dias o resíduo orgânico já está pronto para atender as necessidades do solo.

Segundo Denício, o resultado do processo também deve gerar economia para a Ceasa, que não precisa arcar com o transporte e ser responsável pela destinação final do lixo. O produto final será colocado à venda para produtores rurais de todo o Estado. “Esse projeto trabalha com a educação ambiental e a coleta seletiva dentro da Ceasa”.

Folhas e gramas

Com pouco mais de 1,5 milhão de metros quadrados de áreas verdes, um condomínio horizontal realiza, há 10 anos, a compostagem das massas verdes, podas de grama e cerca viva, folhas e galhas trituradas. De acordo com o supervisor do núcleo de conservação, limpeza e meio ambiente, Eustáquio Teixeira Júnior, a produção de compostagem do condomínio é feito em grande escala, pois são geradas cerca de 100 toneladas mensais de matéria orgânica.

“Recolhemos todas as gramas, folhas e galhos que caem das árvores das nossas áreas verdes e deixamos decompor em uma área de 25 mil metros quadrados ao lado do condomínio. Esse material orgânico fica ali por três ou quatro meses e no final do processo de homogeneização, temos um composto de ótima qualidade que, após passar por análise, é utilizado como adubo no paisagismo e também repassado aos moradores para que utilizem nos seus jardins domésticos”, exemplifica Eustáquio.

Esse composto, de acordo com o supervisor, permite a reposição da matéria orgânica e recuperação do solo de forma sustentável ecologicamente, pois não utiliza produtos químicos.

“E se torna uma forma de economia, pois não precisamos comprar adubo fora ou fazendo o transporte de todos os resíduos para o aterro sanitário da Capital. Mas nosso maior retorno é a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. O que é bom tanto para o condomínio quanto para a cidade”, destaca.

Horta

A compostagem é uma forma de otimizar o reuso das matérias orgânicas. Por isso que pessoas e também as empresas desenvolvem ações e projetos internos que buscam meios sustentáveis e de preservação da natureza, podendo ser facilmente utilizados em casas e no trabalho. Por conta disso, um outro condomínio vertical incluiu na horta do seu projeto Canteiro Ecológico.

A gestora ambiental da empresa, Cinthia Martins, explica que o Canteiro Ecológico está presente desde o planejamento inicial e é mantido até a conclusão da obra. “Fazemos uma estrutura que tenha o menor impacto possível no meio ambiente. Como exemplo, usamos mictório ecológico, placas solares para aquecimento da água do chuveiro, redutores de vazão instalados nas torneiras, aproveitamentos de luz natural, coleta seletiva e até tratamento de parte do esgoto. Também incluímos uma composteira na horta”, explica.

Lei

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) previu, no art. 36, inciso V, a necessidade de implantação, pelos titulares dos serviços, “de sistemas de compostagem para resíduos sólidos orgânicos e articulação com os agentes econômicos e sociais formas de utilização do composto produzido”.

Desta forma, entende-se que a promoção da compostagem da fração orgânica dos resíduos, assim como a implantação da coleta seletiva e da disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos faz parte do rol de obrigações dos municípios instituída pela Lei 12.305/2010.

Fonte:OHoje.com em 28/09/2018


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