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Agricultura compartilhada: ‘coagricultores’ apoiam produção de orgânicos em Jundiaí

 

Por meio de uma cota mensal, o consumidor obtém, semanalmente, produtos frescos e livres de agrotóxicos, direto do pequeno produtor
Letícia Rodrigues

Publicado

em 20 de janeiro de 2020

Por Letícia Rodrigues

á dois anos, Jundiaí é palco de uma iniciativa que une agricultores familiares orgânicos e pessoas interessadas em financiar, de forma direta, esses produtores. Esse modelo de agricultura compartilhada, por meio da CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura), conta com ‘coagricultores’ que financiam, por pelo menos um ano, a produção desses pequenos agricultores. Estes, por sua vez, lhe fornecem, semanalmente, alimentos sazonais frescos e livres de agrotóxicos.

O programa iniciou na cidade com o apoio da CSA Brasil, que realizou duas palestras para a divulgação da filosofia na cidade. No Brasil já são mais de 110 iniciativas do mesmo gênero, demonstrando uma tendência de consumo de alimentos orgânicos: de acordo com o SEBAE, no início de 2019 eram mais de 15 mil propriedades certificadas e em processo de transição – 75% pertencentes a agricultores familiares.

O CSA Jundiaí conta com três pequenas propriedades rurais produzindo alimentos orgânicos, nesse esquema de negócio: CSA Japi, na Serra do Japi; CSA Jasmin, no bairro dos Fernandes; e CSA Moma, no bairro do Medeiros. No total, cerca de 50 pessoas financiam essas propriedades, que produzem legumes, raízes, temperos, frutas, ervas, verduras, PANCS (plantas alimentícias não convencionais), podendo também oferecer ovos caipiras e cogumelos shitakes.

O Tribuna de Jundiaí foi conhecer a propriedade do Marcos Vinícius e da Marina Daloca, que, juntos, cuidam da propriedade de aproximadamente 5 mil m² no bairro do Medeiros. Na propriedade, além da plantação orgânica e sazonal que respeita o solo, eles ainda mantêm cerca de metade do espaço para as galinhas, que vivem soltas.

Espaço de plantação da propriedade que fica no bairro do Medeiros (Foto: Letícia Rodrigues/Tribuna de Jundiaí)

“A gente planta de tudo um pouco. Temos, por exemplo, alface, milho, tomate, abobrinha, pepino, beterraba, rúcula, rabanete, giló, salsinha, cebolinha, repolho, alho poró… Tem bastante coisa. São aproximadamente 20 tipos diferentes de alimentos plantados e cerca de 10 famílias contribuem. Uma vez por semana fazemos a entrega. As pessoas financiam pagando uma cota mensal, que pode dar direito a 4 ou 7 itens. Ou seja: um pé de alface é um item, mas outros produtos, como cenoura e rabanete, por exemplo, dividimos em maços, que formam o item. Aí elas definem o que elas querem e não querem”, contou Marcos.
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Ele e a esposa, que eram atletas profissionais de vôlei, decidiram viver da agricultura após o nascimento da filha, Olívia, de três anos. “A gente decidiu parar de jogar e cuidar da criação dela, e aí a gente veio para o sítio. Eu sou mineiro, ela é de Jundiaí. Aqui foi natural. Pertence a ela a propriedade e a gente achou que o mais viável seria aproveitar o espaço e o estilo de vida, até por conta da nossa filha. Muito mais favorável”, continuou o agricultor.

No início, eles participavam de feiras, mas não estavam obtendo o retorno desejado. Há dois anos descobriram a CSA, um modelo de negócio que trouxe mais retorno para a propriedade. Além do apoio financeiro, os ‘coagricultores’ também podem auxiliar de maneira esporádica e direta por meio de mutirões nos sítios, estreitando o laço com os agricultores e participando, nessas ocasiões, de forma direta da produção dos itens.

“Indiretamente eles [os consumidores] também evitam o desperdícios de alimentos, de contaminação do solo, e muitos outros benefícios para a comunidade local como um todo”, reiterou também a nota da comunicação da CSA Jundiaí. Dentre os outros benefícios apontados pelo grupo, está a diminuição dos valores e a melhor remuneração do agricultor, já que o produto vai direto do produtor para o consumidor, sem intermediários.

“Aqui a gente trabalha com a vida do solo. É o mais benéfico, você cuidar do meio ambiente de forma geral, você poder se alimentar de algo que tenha sido cuidado dessa forma. A gente vive nesse mundo industrializado e a última coisa que as grandes empresas pensam é na qualidade daquilo que estão vendendo para os consumidores. Muita gente busca ter mais qualidade de vida através daquilo que a gente produz aqui”, pontuou ainda o agricultor do Medeiros.

Todas as propriedades que integram o projeto são certificadas pela Organização de Controle Social (OCS), para garantia da qualidade orgânica na venda direta por agricultores familiares. Saiba mais sobre a CSA Jundiaí e como participar na rede social do projeto.


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