Cinturão verde aumenta lucros com orgânicos

 

O maior valor agregado e o interesse de grandes redes de supermercados por hortaliças produzidas sem aditivos químicos está incentivando os produtos do "cinturão verde" de Curitiba - municípios da região metropolitana (RMC), que respondem por 70% da total de legumes do Paraná, a investir no plantio de orgânicos. O preço de venda de produtos sem agrotóxicos é até 30% maior que o dos tradicionais.

Na safra 99/2000, havia 750 produtores de hortaliças orgânicas no Estado, número que subiu a 950 em 2000/01. Redes de supermercados como Sonae, Pão de Açúcar e Festval estão entre as compradoras desses produtos. Parte da produção de hortaliças de agrotóxicos da região segue para Santa Catarina - onde são comercializadas nos Supermercados Angeloni -, São Paulo e Rio Grande do Sul . Aos supermercados, também é interessante o oferecimento de orgânicos, pois a margem de lucro é muito maior que nas hortaliças convencionais. Enquanto nas verduras e legumes produzidas com agrotóxicos a margem fica entre 10% e 15%, os orgânicos permitem um lucro entre 60% e 70%. De acordo com o presidente da Associação dos Produtores Agrícolas de Colombo (Apac), César Augusto Lovato, é necessário fazer a fiscalização nos pontos de venda para evitar preços abusivos e o conseqüente desinteresse do consumidor nos produtos. "Algumas vezes, os supermercados aplicam margem de 100%", ressalta. Dos 80 produtores filiados à Apac, a metade já produz sem aditivos químicos. Atualmente, a associação embala 2 mil unidades de orgânicos ao dia, volume que chegará a 5 mil durante o verão, quando a produção é bem superior. A renda média dos produtos ligados à Apac é de R$ 1,8 mil, valor que sobe a R$ 2,5 mil nos meses mais quentes. "Com este rendimento, muitas famílias já compraram tratores, caminhões e reformaram a casa", comenta. Entretanto, a produção das hortaliças convencionais ainda é bem superior. A Apac entrega, por mês, entre 100 e 120 toneladas de produtos não-orgânicos a seus clientes. O presidente da entidade, que produz couve-flor, repolho, alface, alcachofra, vagem, pepino e chuchu, está em fase de transição da cultura tradicional para a orgânica. A associação tem dois técnicos que fazem a inspeção das lavouras e realiza reuniões mensais de atualização. "Ao contrário do que acontecia no passado, o produtor que descobre uma forma de aumentar o rendimento de sua lavoura divide a técnica com os colegas", frisa. Uma das novidades recentes é o biogel, produto aplicado nas folhosas. Até o final do ano, de acordo com Lovato, a Apac deve estar com mais de 100 associados, número que deve ser atingido em razão do escoamento da produção de chuchu. O potencial da entidade, entretanto, é de "abrigar" até 240 produtores de Colombo, além de outros de cidades próximas. "Nossa propaganda vem dos resultados que obtemos. Com a associação, a venda deixa de ser um problema e não há dúvidas em relação ao recebimento. O lucro também é maior, pois o intermediário é eliminado", frisa. A Apac existe há oito anos, mas seu crescimento se consolidou em 2000. No ano passado, eram apenas 30 produtores associados. A entidade, que tem marca própria nos produtos orgânicos, conta com a ajuda da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do município. Antes da entrada do grupo Pão de Açúcar, os Supermercados Parati acompanhavam a produção de orgânicos, ditando normas técnicas para a produção sem aditivos químicos e fazendo a separação prévia dos produtos. "Agora, a aprovação da rede

de supermercados é feita no momento da entrega", diz. Outro ponto importante para a manutenção dos clientes é o sistema logístico. O pedido de orgânico tem que ser entregue em no máximo 48 horas, para que os legumes e verduras fiquem expostos no ponto de venda por cinco ou seis dias. "Para evitar que os produtos se estraguem, identificamos as necessidades de cada loja, os produtos mais vendidos e balanceamos a quantidade com base nos dados", comenta. No inverno, os produtores costumam produzir apenas folhosas. Neste ano, em razão das perdas do ano passado, muitos agricultores diminuíram a área plantada. No caso das lavouras orgânicas, há quem aproveite esta época do ano para fazer a "adubagem verde" do terreno, o que acarreta a interrupção da produção.

Segundo o engenheiro agrônomo Maurício Tadeu Lunardon, técnico do área de olericultura do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab), são 38 mil produtores de hortaliças no Estado. A área plantada no Paraná é de 80,1 mil hectares e a produção média é de 1,41 milhão de toneladas. No ano passado, em razão das fortes geadas que atingiram a RMC, a perda média na olericultura foi de 41%. As hortaliças de fruto, como tomate e chuchu, culturas típicas de verão, tiveram quebra de 80%, enquanto as perdas foram de 30% na beterraba e de 20% na cenoura. Nas outras regiões do Estado, há produção de hortaliças perto dos grandes centros, como Londrina (região Norte) e Maringá (Noroeste). Outro pólo importante é Morretes, município do litoral paranaense. Com os altos preços cobrados pelos orgânicos nos supermercados, Lunardon lembra que o consumidor pode procurar as feiras de produtos sem agrotóxicos realizadas semanalmente, em Curitiba, em locais como Passeio Público, Terminal Campina do Siqueira e Jardim Botânico. Dentro do cultivo de legumes e verduras no Paraná, a batata tem o maior volume de produção (608 mil toneladas), seguido do tomate (118 mil) e da cebola (55,2 mil toneladas). Os produtos de maior valor agregado são a batata, couve-flor, batata salsa e tomate.

Na última semana, as maiores evoluções de cotação nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa-PR), ocorreram no couve-flor e no chuchu, que subiram 62,5%. Em razão do frio, foi necessário trazer os produtos de outros Estados. No mês passado, as maiores altas foram no couve-flor (85,71%), cenoura extra (33,33%), melancia redonda (32%), chuchu extra (30%) e cebola pera (25%). As maiores baixas em julho foram registradas no preço da abobrinha verde (33,33%), mandioca (30%), alface crespa (30%), vagem macarrão extra (25%) e batata doce comum branca (22,22%). A média ponderada, que leva em consideração a importância dos produtos, mostra uma alta de 5,12% na última semana e uma queda de 2,45% no mês.

fonte: Jornal Paraná On Line Quinta-feira, 2 de agosto de 2001 - nº 848


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