Fazenda de produtos orgânicos do príncipe Charles causa polêmica

 


O negócio de alimentos orgânicos do príncipe Charles da Inglaterra vai de vento em popa, mas alguns criticam algumas de suas práticas empresariais.

Segundo o jornal "The Independent", o herdeiro do trono britânico adaptou há 20 anos sua fazenda "Duchy Home Farm" em Highgrove, condado de Gloucester, para a agricultura biológica, dispensando assim o uso de agrotóxicos.

Cinco anos depois, o príncipe lançou sua marca "Duchy Originals", cujos primeiros produtos foram os até hoje populares biscoitos de aveia e, em seguida, os de gengibre.

Mais tarde, a empresa começou a investir em vários outros produtos: água mineral, sorvetes, presunto, salsichas, pães especialmente preparados, entre outros.

Ao mesmo tempo, começaram a surgir críticas, como a da especialista em gastronomia Rose Prince, autora do livro "The Savvy Shopper", que reclama de que poucos produtos vendidos sob a marca "Duchy Originals" vêm, de fato, da fazenda de Charles.

Segundo Prince, citada pelo "The Independent", muitos produtos são fabricados por outras empresas que, embora sejam todas de prestígio, não operam sempre de acordo com os princípios da agricultura orgânica.

Este ano, os pescadores escoceses protestaram devido ao fato de a "Duchy Originals" ter usado salmão do Alasca na fabricação de seu salmão defumado.

"É um desprezo aos piscicultores escoceses", critica Julie Edgar, da Organização de Produtores Escoceses de Salmão.

"O príncipe poderia ter achado salmão excelente aqui (na Escócia). Trazer salmão do Alasca, que está a milhares de quilômetros de distância, vai contra os princípios ecológicos da Duchy", disse Edgar.

"Não culpo o príncipe Charles. Desde que a fazenda cresceu tanto, tem sido difícil para ele controlá-la de forma permanente e garantir que seus empregados façam as coisas de maneira correta, embora tenhamos de admitir que ele age com rapidez quando descobre algum erro", diz Rose Prince.

Mais crítica ainda se mostra Henrietta Green, promotora dos mercados de produtos locais no Reino Unido.

Segundo Green, há um certo abuso no uso da categoria de produtos orgânicos, que não se refere, muitas vezes, à qualidade dos alimentos, mas apenas a um determinado método de produção ou ao cumprimento de certos padrões ambientais.

"Quando surgiram (os produtos orgânicos), todo mundo pensou que era algo maravilhoso, mas agora me pergunto sobre sua razão de existir. O príncipe Charles queria lançar uma grande marca, motivo pelo qual, em geral, não trabalhou com pequenos produtores", disse.

Green acrescentou que o príncipe "recorreu a produtores médios ou grandes, capazes de fornecer volume de mercadoria, mas que, em muitos casos, estes não empregavam técnicas artesanais".

Atualmente, a "Duchy Originals" produz desde latas para biscoitos até utensílios de jardim e artigos para banho. Segundo a empresa, uma parte de seu lucro é repassada a organizações que realizam atividades beneficentes.

Nos últimos tempos a empresa de Charles tem concorrido com um novo e poderoso rival, a "National Trust", que, mais que uma marca, é um selo de excelência - o "Fine Farm Produce Award", dado a 13 produtos de pequenas fazendas instaladas nos terrenos de sua propriedade.

Fonte:Agência EFE em 07/10/06


Leia Mais:



Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

Siga-nos Twiiter rss Facebook Google+