O crescente interesse pelos produtos orgânicos segue uma tendência mundial que pauta-se pela busca de maior qualidade de vida

ORGÂNICOS NO CEARÁ

Setor demanda sistematização

Dados sobre a produção de orgânicos no Ceará ainda não estão totalmente sistematizados. O setor distribui-se de forma pulverizada e a cadeia produtiva existente, ainda mal organizada, dificulta o somatório preciso do volume financeiro das empresas, associações e produtores. Mesmo assim, há uma certeza: o setor tende a ganhar mercado nos próximos anos. Pesquisa realizada pelo BNDES aponta que a produção orgânica no Brasil soma cerca de US$ 150 milhões, sendo que US$ 20 milhões derivam do mercado interno. São mais de 7 mil produtores certificados ou em processo de certificação, numa área estimada de 269,7 mil hectares.

No Ceará, a produção de orgânicos ainda é pulverizada. A cadeia produtiva existente, ainda mal organizada, não permite o somatório preciso do volume financeiro que gira em torno de empresas, associações e produtores. Mas existe uma certeza: os produtos tendem a ganhar mercado nos próximos anos.

Quem optou pela produção ecologicamente correta não tem do que se arrepender. A demanda ainda é reprimida, mas a busca pelo consumidor – peça fundamental em todo o processo - é premissa básica. Os custos de produção são elevados. Não há um financiamento específico para apostar no setor. Os cultivos convencionais (irrigados) continuam na liderança: custam entre 20% a 30% a menos que os produtos orgânicos.

O Estado do Ceará acompanhou a revolução agroecológica. Surgiram as primeiras manifestações: feijão, milho, culturas de subsistência, algodão etc. Hoje são mais de 30 itens organicamente produzidos. A área de maior preponderância e que há muito tempo faz o cultivo orgânico é a de hortaliças: a produção aumentou mais de 34%.

O engenheiro agrônomo Hermínio José Moreira Lima, chefe do Núcleo de Tecnologia de Produção da SEAGRI (Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado), ressalta que hoje é possível produzir organicamente quase todos os tipos de frutas, hortaliças, condimentos e cereais para o consumo “in natura” ou processados. As hortaliças são consideradas as precursoras do movimento de produção orgânica.

Alguns gargalos importantes ainda precisam ser resolvidos para que a atividade cresça de forma sustentável: faltam pesquisas mais aprofundadas, linhas de crédito específicos e pessoal qualificado. O mercado interno não acompanha a ‘sede’ de consumo dos outros países que já produzem e/ou desfrutam dos cultivos cearenses. Internamente, os supermercados são pioneiros na compra dos produtos, mas produtores e associações, em parceria com o Governo do Estado, querem conquistar a preferência de outros segmentos, tais como hotéis e restaurantes.

As frutas e hortaliças orgânicas são comercializadas, basicamente, em feiras, sacolões, em cestas diretas aos consumidores, supermercados, hospitais e para a indústria de beneficiamento. “O mercado externo aponta para uma possibilidade de conquista, em função da grande demanda por produtos orgânicos, principalmente nos Estados Unidos e Europa”, informa.

fonte: Diário do Nordeste em (22/7/2004) por E duardo Queiroz

 
Mais Notícias Fale Conosco Recomende este site spam

 
->