Cultivo orgânico de cebola é alternativa comercial para agricultores

 

O mercado de produtos orgânicos no Brasil cresce a taxas que variam entre 30% e 50% ao ano. Em 2008, o faturamento desse segmento deve alcançar cerca de U$ 250 milhões – 70% serão gerados com exportações. Um negócio com essa dinâmica de expansão não pode ser ignorado pelos agricultores que cultivam cebola no Vale do São Francisco, afirma o pesquisador Nivaldo Duarte Costa, da Embrapa Semi-Árido, ainda mais que agora dispõem de informações precisas acerca do manejo da cultura, sem precisar lançar mão de insumos químicos na obtenção de altas produtividades.

Buscar esse mercado amplia as oportunidades comerciais para agricultores dessa região que é a segunda maior produtora do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina, defende Nivaldo. Atualmente, no Vale, são colhidas 272.400 toneladas de cebola em 13.620 ha.

Praticamente toda ela é cultivada de forma convencional, em sistemas de produção que tem por base o uso intensivo de insumos químicos. "Há espaço para implantar no campo e oferecer aos consumidores uma cebola orgânica de boa qualidade".

COMERCIAL

Até porque, explica, existe uma base técnica bem estabelecida para plantios nas condições irrigadas do Vale do São Francisco realizados por pesquisadores e professores da Embrapa Semi-Árido, Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), e Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).

Em testes de campo, o plantio de cebola com as tecnologias desenvolvidas nesses estudos pode alcançar produtividade de até 38 toneladas por hectare (38 t/ha-1) – quase que o dobro da média obtida nos sistemas de cultivo comercial nas áreas produtoras da Bahia e Pernambuco: 20 t/ha-1. Os estudos tiveram o apoio financeiro do Banco do Nordeste.

Produzir de forma orgânica não significa que o agricultor põe a cultura no campo e deixa que ela se desenvolva por si. Na verdade, o plantio orgânico, da mesma forma que o convencional, demanda práticas agrícolas e conhecimentos para cada etapa de desenvolvimento da cultura: do preparo do solo à variedade mais adequada, de controle de pragas e doenças à lâmina de água para irrigação. E elas precisam ser eficientes com resultados produtivos que dêem retorno comercial aos agricultores. Estar seguro de boas colheitas é um estímulo importante para passarem a adotar em suas propriedades o cultivo orgânico, assegura Nivaldo Costa.

BIOFERTILIZANTE

Segundo este pesquisador, os estudos e testes de campo envolvendo a Embrapa, UNEB, IPA e EBDA desde 2005 dão esta segurança aos agricultores. As tecnologias e conhecimentos que geraram substituem com sucesso os manejos da agricultura convencional marcados pelo uso intensivo de insumos químicos e práticas que esgotam a fertilidade natural do solo. Além disso, produzir culturas alimentares com recursos técnicos que impactam minimamente o meio ambiente e não ameaçam a saúde de agricultores e de consumidores não é só possível como muito desejável, defende por sua vez o professor Jairton Fraga Araújo, do Departamento de Tecnologia e Ciência Sociais da UNEB.

Uma conclusão desses estudos está relacionada à definição da variedade de cebola mais adequada ao cultivo orgânico. De 20 variedades avaliadas em 2005, foram selecionadas três: Brisa, IPA 10 e Alfa São Francisco. Em outros testes foram estabelecidas as quantidades adequadas dos três principais macronutrientes a serem aplicadas nas plantas de cebola sob cultivo orgânico - nitrogênio (N), potássio (K) e fósforo (P) - oriundas de fontes como a torta de mamona, cinzas vegetais, fosfatos naturais (termofosfatos) respectivamente.

A implantação da cebola nas áreas de testes foi precedida de adubação verde com espécies leguminosas (mucuna preta, guandu e crotalária), com o objetivo de promover melhorias nas propriedades químicas, físicas e biológicas do solo. Após o inicio da floração, foram cortadas e deixadas no local por 30 dias para, só então, serem pré-incorporadas ao solo por meio de gradagem leve. A produção de massa verde incorporada foi estimada em 48 t/ha, sendo que em massa seca obteve-se 15 t/ha.

Segundo Jairton Fraga, a adubação foi feita em dois momentos: um, antes do estabelecimento da cultura; e depois, com a cebola já implantada na área. A cada semana, foram feitas pulverizações com biofertilizante líquido enriquecido à base de micronutrientes cuja formulação básica contém ingredientes como sulfatos de zinco, de magnésio, cobalto além de borax, leite, melaço, esterco bovino e água e aminoácido de peixe, aplicados via foliar.

Paralelo ao manejo do solo, pode ser necessário o emprego de estratégias para controle de pragas e doenças. No caso do cultivo da cebola orgânica, a ocorrência de trips (praga) foi combatida com o emprego de calda sulfocálcica (fungicida). A incidência de antracnose, por sua vez, foi debelada com calda bordaleza (fungicida). Para Nivaldo Costa, o manejo adotado nos testes foi eficiente: sem afetar a produtividade impediu o progresso das doenças e pragas.

PARA MAIS INFORMAÇÕES

Nivaldo Duarte da Costa
Pesquisador da Embrapa Semi-Árido
Telefone: (87) 3862-1711

Jairton Fraga de Araújo
Professor do Departamento de Tecnologia e Ciência Sociais da UNEB
Telefone: (74) 3611-4763

Fonte: Embrapa Semi-árido e http://www.agrosoft.org.br/agropag/102941.htm em 22-10-2009


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