Casal de argentinos faz hortas orgânicas em casa e ensina como cuidar


Moradores do Rio Tavares, em Florianópolis, acreditam na alimentação saudável sem agrotóxicos e no respeito à terra

Foi-se o tempo em que falar de meio ambiente era só falar do verde. Com o passar dos anos, o avanço das tecnologias, a busca pelo estudo e o aumento do interesse por hábitos saudáveis mudaram a visão da sociedade, que hoje enxerga o lixo como uma preocupação, procura uma alimentação mais natural possível, tem noção da importância da água, e que sim, um dia ela pode acabar. Essa visão macro e consciente permite atitudes pequenas, mas que fazem a diferença. Atitudes como a do casal de argentinos Carolina Cantafio, 32 anos, e Wenceslao Bunge, 24, que mora no Rio Tavares e tornou a alimentação orgânica um negócio.

Carolina e Wenceslao literalmente levam alimentos orgânicos para a casa das pessoas, mas de uma forma não tão convencional. O casal organiza uma horta na casa do cliente, ensina a cuidare ainda faz a manutenção das plantas. O casal mora no Brasil há dois meses, tempo suficiente para notar que Florianópolis é uma cidade na qual as pessoas buscam melhorar a alimentação, apesar da vida corrida que dificulta que se tenha tempo para plantar ou ir em busca de alimentos mais saudáveis.

Os argentinos dão esse empurrãozinho. “Vemos que as pessoas querem ter acesso ao alimento orgânico, porém, a possibilidade de criarem uma horta em casa, seja num pequeno espaço, se torna difícil diante dessa louca rotina”, diz Carolina.

Wenceslao diz que esse trabalho já era feito na Argentina e que conforme estudos, Brasil e Argentina são os países líderes no uso de agrotóxicos em alimentos. “Temos que mudar esse cenário. E a mudança começa assim, de um em um. A Carol estudou sobre alimentos orgânicos em Buenos Aires e lá já produzíamos mudas de plantas medicinais, hortaliças e temperos e fazíamos esse trabalho de criar as hortas orgânicas nas casas das pessoas”, conta.

O casal é vegetariano e só consume produtos orgânicos. “Nós não tomamos remédios. Tratamos nossas doenças com mel, gengibre, alho e ervas. Para nós o consumo de alimento orgânico não só melhora a imunidade como é mais eficiente na recuperação de qualquer doença”, diz Carolina.

Hortaliças, chás e temperos

Nesses dois meses em Florianópolis, o casal já está na produção da terceira horta, todas no Campeche, também no Sul da Ilha. Carolina e Wenceslao ainda não cultivam plantas, mas em breve devem ter o seu próprio espaço para o trabalho. “Atuamos também na horta comunitária do Pacuca [Parque Cultural do Campeche] e um voluntário de lá nos cedeu um espaço de terra para plantar. Estamos felizes, é nosso trabalho se expandindo e mais pessoas que terão acesso ao cultivo do seu próprio alimento orgânico. Queremos cultivar cavalinha, capim-limão e coentro”, explica Carolina.

Um dos trabalhos concluídos recentemente foi na pousada da empresária Carmen Prada, 42 anos, que tinha o desejo de comer de forma mais saudável, mas que na correria do dia a dia não conseguia tempo de fazer a sua horta. A horta, pequena e estreita, tem pelo menos 12 tipos de hortaliças, chás e temperos. “Aqui eles plantaram tomate, cebola, pimenta malagueta, orégano, anis, hortelã... Eu amo alimento in natura, sem a presença de agrotóxicos. Eu molho seguidamente, mas são eles que fazem a manutenção da terra e das mudas”, conta.

Como funciona

O cliente solicita uma visita do casal

O espaço disponível é estudado para fazer a horta, os tipos de plantas que o cliente quer e as condições do solo

Carolina e Wenceslao compram as mudas e preparam fertilizantes e pesticidas orgânicos

As plantas são colocadas no solo e regadas

As principais orientações são passadas aos clientes, que opta em manter a horta ou contratar o serviço de manutenção

O custo para fazer a horta é de R$ 60 a R$ 120

Dicas para pesticidas e fertilizantes orgânicos

Deixe a casca da banana de molho na água por dois dias. Depois borrife na terra que será ou estão plantadas as mudas. Ela atua como fertilizante

Deixe uma cabeça de alho de molho na água. Depois borrife nas folhas da planta. Ele atua como pesticida de insetos voadores, como um repelente

Contato

(48) 99609-7801

Fonte: Notícias do Dia em 04-06-2017 por Dariele Gomes


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