Casa ecológica reduz consumo de energia

Equipe da UFRJ vai construir habitação usando produtos que não agridem a natureza

RIO - A Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai construir uma casa ecológica, feita de materiais que não poluem o ambiente e com baixo consumo de energia. Os pesquisadores calculam que, com o aproveitamento da luz solar, a redução do gasto com eletricidade no dia-a-dia será de 30%.Da fundação - feita com tijolos que aproveitam resíduos do solo local - ao telhado - com telhas produzidas com fibra de coco - os pesquisadores da Coppe vão utilizar apenas produtos que não agridem a natureza e são mais baratos. Durante as obras, no câmpus da universidade, o nível de gás carbônico emitido será reduzido em 97% e o consumo de quilowatts-hora (kWh), em 95%. "Vamos pôr em prática vários projetos da universidade que, um dia, poderão ser usados em larga escala", diz o coordenador do projeto, Luciano Basto, especialista em planejamento energético.Projeto - A construção terá dois módulos, cada um com 46 metros quadrados, e cinco cômodos - sala, dois quartos, banheiro e cozinha. O custo total será de R$ 8 mil (R$ 181,35 por metro quadrado), quando, pelos métodos tradicionais, seria de R$ 15 mil. O financiamento para a aquisição das máquinas que produzem os materiais e o pagamento da mão-de-obra já foi liberado pela Companhia Estadual de Habitação (Cehab). As obras devem começar em agosto.A equipe do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig) da Coppe pretende aproveitar clima, relevo e localização para que a casa receba iluminação natural pelo maior tempo possível e tenha ventilação suficiente para que haja conforto térmico (entre 24º C e 27º C). Uma abertura na parte superior da casa permitirá que o ar quente escape, o que melhora a circulação do ar frio. "Queremos minimizar o uso de ar condicionado e lâmpadas", explica a arquiteta Andrea Borges.Coletores de raios solares serão instalados para reduzir o uso de aquecedores de água. Placas fotovoltáicas, feitas de material semicondutor e sensíveis à luz do sol, vão produzir parte da eletricidade necessária para o funcionamento das casas. "Essa tecnologia já é bastante utilizada no Nordeste", afirma Neilton Fidelis, engenheiro eletricista do projeto.Telhado - Além das telhas de fibra de coco - que custam a metade do preço -, os pesquisadores vão usar a técnica do telhado naturado, bastante difundida em países como o México. Basta impermeabilizar a laje e instalar um sistema de drenagem para poder plantar uma cobertura verde sobre o telhado. "As plantas melhoram a qualidade do ar", diz a arquiteta Sylvia Rola. "É um modo de devolver à cidade a cobertura vegetal que ela perdeu com as construções."Por : ROBERTA PENNAFORT

fonte: Jornal O Estado de São Paulo - Segunda-feira, 9 de julho de 2001

 


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