Preço mais caro não incentiva consumo de orgânicos


Com o mercado mais organizado, o preço continua um entrave para que orgânicos ganhem espaço -mesmo com o crescimento, esse produto representa apenas 1% dos alimentos consumidos no Brasil. Mesmo que a cadeia produtiva siga aumentando, a dificuldade com transporte e pontos-de-venda, além das condições de produção, fazem com que a queda no preço fique lenta e difícil.

Hoje, em média, os orgânicos são de 10% a 30% mais caros do que os alimentos convencionais, variação que depende do tipo de produto e da época. Em hortaliças e frutas, a diferença tem caído. Quanto aos laticínios, o preço pode ser mais do que o dobro.

O produto orgânico cuida do solo, da água, da saúde dos consumidores e dos trabalhadores, da biodiversidade e isso gera custos. Ele evita que a sociedade pague na forma de serviços de despoluição, tratamento de doenças, desassoreamento de rios e lagos, recuperação de solos erodidos, recomposição da fauna e da flora, afirma José Pedro Santiago, presidente da Câmara Setorial da Agricultura Orgânica. Se fizermos contas sociais e ambientais, o produto orgânico talvez tenha o mesmo preço do convencional, defende.

Na prática, esse raciocínio nem sempre convence. Em feiras populares, onde você tem o produto convencional e o orgânico, você ainda perde porque o consumidor só pensa em preço, ele nem sempre tem informações sobre os orgânicos e condições financeiras para consumi-los, conta Robson Carvalho, dono de sítio em Ibiúna.

Ex-gerente de restaurante em São Paulo, mas formado em Agronomia, decidiu há três anos comprar a propriedade. Lá, planta cerca de 50 tipos de legumes e vegetais, ganhando mais pela diversidade oferecida do que pela quantidade de um mesmo produto - como fazem os agricultores tradicionais e poucos agricultores orgânicos, como produtores de açúcar e laranja. Tenho um ponto de venda em uma escola. E um projeto didático, no qual crianças vêm até o sítio, diz Carvalho.

Dono do primeiro box voltado para orgânicos no Mercado Municipal, o Empório Família Mendonça, Fábio Luís Mendonça conta que a busca tem aumentado. Abri há oito meses, diz. Os clientes são pessoas que já conhecem os produtos ou que têm problemas de saúde e querem uma alimentação saudável.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno A do dia 19/01/2009 por Simone Iwasso


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