Carne Orgânico, média de crescimento do mercado chega a 20% e anima pecuaristas

 

Um grupo de pecuaristas brasileiros produziu 3.500 animais dentro do sistema orgânico de criação, de acordo com as normas dos países exportadores. A evolução do setor foi de 1.200%, considerando que no ano passado tinham sido criados apenas 300 animais. "Esse mercado está crescendo em média 20% ao ano na Europa, sendo um atrativo para os fazendeiros que estão aderindo à nova modalidade", afirma o presidente da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO), Homero José Figliolini. Na safra passada, o grupo produziu 300 bois e enviou as 25 toneladas de carnes encomendadas pela Inglaterra, sendo, então surpreendido, no meio do caminho, com nova exigência dos ingleses que queriam comprar apenas carne orgânica. "Por causa da barreira, a carga foi vendida para a Holanda", conta Figliolini. Certificação - Atualmente, oito fazendas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, São Paulo e Paraíba, certificadas por órgãos internacionais de controle de qualidade, são ligadas à ABPO, que tem como associadas outras sete em processo de conversão de convencional para orgânico, além de dezenas de pedidos de adesão, que estão sendo analisados. O Instituto Biodinâmico (IBD), de Botucatu (SP) e a Organização Internacional Agropecuária (OIA), da Argentina, fornecem os certificados de garantia de qualidade no Brasil. Ambas entidades são associadas à International Federation of Organic Agriculture Moviments (Ifoam), da Alemanha, ligada à Comunidade Econômica Européia. Para a certificação, primeiro, técnicos do IBD e da OIA, que acompanham o processo de mudança colhem amostras do solo, examinam a limpeza dos pastos, observam a possível presença de agrotóxicos e fazem uma série de recomendações. Voltam à fazenda com os resultados das análises do solo e o cálculo do tempo necessário para que a propriedade possa entrar no novo processo de produção, necessário para a "desintoxicação" da área, conforme explicou o representante do IBD/MSl, José Carlos Thimoteo Lobreiro. "Pode chegar a cinco anos." Segundo Figliolini, o mundo inteiro está avaliando os excessos da agricultura atual. "A tendência é crescente na Europa e a onda verde européia também chegou aos produtores brasileiros de carne", diz Figliolini.

fonte: Jornal O Estado de São Paulo – Caderno Suplemento Agrícola em 4 de setembro de 2002


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