Carne Minhota Avança para Designação DOP Após 5º ano de Certificação


“Queremos triplicar a comercialização da carne Minhota”, afirma a presidente da cooperativa Agrominhota — Agrupamento de Produtores de Carne, Leite e Queijo de Raça Minhota.

Este anseio surge na altura em que a certificação da carne Minhota completa o quinto aniversário (2013-2018) e estão criadas condições de ampliação da comercialização do produto no comércio tradicional e nas grandes superfícies. Designação DOP é o próximo passo.
A estratégia do Agrupamento passa por levar ao conhecimento do público o que Teresa Moreira considera ser “o último segredo da produção nacional”.

Designação DOP: o próximo passo

Foram precisos muitos anos de persistência por parte da Apacra e da Agrominhota para a obtenção da certificação da carne proveniente de animais da raça “Minhota”. A certificação foi publicada no dia 14 de Fevereiro de 2013, com a aprovação da rotulagem facultativa “CM – Carne Minhota”.

Agora, a luta destas duas organizações é pela atribuição da designação DOP-Denominação de Origem Protegida, pedido que está em apreciação.

É também com base nesta expectativa que as duas entidades trabalham em prol de um crescimento sustentado e a desenvolver o plano de Melhoramento Genético da raça “Minhota”. Os objectivos passam ainda por ajudar a promover o desenvolvimento rural e a economia local, oferecendo melhores condições aos produtores e colocando à disposição de todos os interessados o que de melhor se produz no Minho.

Dar a conhecer a carne

“Desejamos que todos conheçam as características de uma carne que surpreende pelo sabor e composição, de uma raça produzida numa zona do país que oferece condições de produções excelentes, designadamente biológicas“, acrescenta a também presidente da Apacra — Associação Portuguesa dos Criadores de Bovinos de Raça Minhota.

“A demonstração do valor nutricional e gastronómico da carne Minhota deverá ser do conhecimento não só do consumidor final como dos profissionais da restauração. Isto implica um esforço de conquista do País de Norte para Sul, o qual permitirá que todos os portugueses descubram uma das nossas maravilhas da produção nacional”, refere aquela responsável.

Espanha como o maior importador

E adianta que “actualmente existe um total de 12.835 animais vivos, 6.896 fêmeas e 139 machos, inscritos no Livro de Adultos, pelo que a criação da raça Minhota não atinge índices de massificação. Importa agora que todos os portugueses a descubram, facto que já acontece em Espanha, país que é o maior importador deste produto”, destaca Teresa Moreira.

Assim, o desafio da expansão passará obrigatoriamente pela presença do produto num muito maior número de talhos que o actual, valor que não chega a uma dezena, e que estão concentrados no Alto Minho.

Ao nível da restauração, também será feito o esforço multiplicar a oferta desta carne nos respectivos cardápios. Actualmente, já são mais de duas dezenas de restaurantes que a oferecem, mas estão concentrados sobretudo no Alto Minho, Minho e Douro Litoral.

Reforçar nos hipermercados

Com vista a incentivar a descoberta para consumo doméstico, o esforço passará por ampliar a presença da carne “Minhota” nas cadeias da grande distribuição, além das actuais insígnias Continente e Intermarché, e que estas também tenham o produto presente em todos os estabelecimentos.

O principal produto da “Minhota” é a vitela, carne que apresenta uma alta luminosidade, de tons rosados pálidos e um elevado índice de amarelo, próprio de animais não desmamados.

As vitelas e vitelos são criados e abatidos em condições, peso e idade previamente definidos, para que dessa forma se obtenha um produto de excelência.

Vitelos alimentados à base do leite materno

Em termos gerais, os vitelos são alimentados à base do leite materno permanecendo estabulados com as mães nos primeiros 15 dias, após esse período são amamentados duas vezes por dia, saindo as vacas para a pastagem.

Sendo o leite a base da sua alimentação, são suplementados com ração e feno até aos três meses, altura que é introduzido na dieta um pouco de silagem de milho. O aleitamento é, na maioria dos casos, realizado até ao abate. As vacas são alimentadas parcialmente na pastagem, sendo suplementadas com feno, silagem de milho e outros subprodutos da exploração.

As carcaças certificadas como “Carne Minhota”, são provenientes de animais de raça “Minhota”, inscritos o livro de nascimentos, e filhos de pai e mãe inscritos no livro genealógico da Raça Bovina Minhota.

As vitelas e vitelos são criados e abatidos em condições, peso e idade previamente definidos, para que dessa forma se obtenha um produto de excelência. Para tal, existe um sistema de controlo e certificação que permite assegurar a rastreabilidade completa do produto “Carne Minhota” até à sua origem.

A raça “Minhota” caracteriza-se por ser a única raça portuguesa de tripla aptidão: carne, leite e trabalho. Alguns destes animais atingem produções leiteiras superiores a 5.000 kg aos 305 dias e teores butirosos e proteicos de 4,4% e 3,5% respectivamente, e um elevado rendimento queijeiro.

Estes animais são indicados para produções diferenciadas e, pela sua rusticidade, estão particularmente bem adaptados a regimes extensivos e em especial ao modo de produção biológico.

Fonte: Agricultura e Mar Actual.em 23-05-2018

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