Henrique Sloper, da Fazenda Camocim, fala sobre o efeito da produção do café do jacu em seu negócio


"Nosso modelo de produção é agrofloresta, ou seja, floresta com cafeicultura dentro. Começamos em 1999 já com certificado orgânico e a partir de 2006 viramos biodinâmicos, que é um processo de produção agrícola com conexão aos ciclos da natureza. Utilizamos alguns preparados homeopáticos nas plantas e compostagem, que é alimentação do café."

"O café do jacu começou por causa desse manejo que temos: uma floresta com café dentro."

"A primeira vez que vimos o 'efeito jacu' foi em 2006. Houve uma invasão de pássaros na fazenda, comeram um monte de café e deixaram um monte de rastro para trás. Passamos a colher e testar a bebida."

"A primeira safra comercial foi em 2007, quando descobrimos como fazia para transformar resto de pássaro em bebida fina."

"O café do Jacu é 2% da produção de café da Fazenda Camocim, por isso a raridade, por isso o preço. Todo processo é manual, grão a grão."

"O jacu teve um papel importantíssimo, principalmente no mercado brasileiro, de lançar a gente como produtor de café diferenciado. Ele é um produto que une a qualidade e o exotismo. Além disso, ele introduziu na minha fazenda um produto que eu não tinha, que é o café torrado e moído."

"A Fazenda Camocim tinha originalmente um projeto de café verde para exportação, o que continuamos fazendo."

"Acredito que tenha tido um efeito nos preços do café orgânico biodinâmico convencional por causa do café do jacu, não sei mensurar isso."

"O jacu teve um efeito grande de agir como fator de penetração no mercado, abertura de portas em mercados que normalmente eu teria dificuldade em ter acesso."

"O café verde é vendido para pequenos torrefadores no mundo todo e também para alguns torrefadores no Brasil."

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Jacu Coffee Bird

A ave, misto de urubu com galinha preta, de grunhido rouco e assustador, é nativa da Mata Atlântica. De praga a aliado da fazenda, o jacu, que quebrava os pés do cafeeiro ao apoiar-se nos galhos para comer seus frutos, fez a fama da Camocim com o café mais exótico - e caro - do Brasil.

A prática do animal não mudou, mas agora é considerada irrelevante. Estima-se que frequentem a fazenda cerca de 50 a 60 jacus. Eles se alimentam pela manhã e à tarde, selecionando instintivamente os frutos mais maduros do cafeeiro, o grão cereja. Por possuir um sistema digestivo simplório, o fruto só é despolpado, sem sofrer muita agressão dos ácidos estomacais da ave. Pela rapidez desse processo, o excremento é eliminado logo após a ingestão e fica acumulado próximo aos pés de café que serviram à alimentação, todos de grãos arábica.

As informações são do Portal Espresso.

Suas fezes são então recolhidas e levadas para o terreiro suspenso, onde secam e os grãos podem ser separados do excremento e de outras sementes para depois serem lavados.

Fonte:Equipe Cafepoint em 21-07-2010

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