Café agroecológico Guaií transforma a vida de assentados no Sul de Minas Gerais

Produção de café sem insumos químicos ocorre desde 2010 por meio de cooperativa formada por assentamentos do MST

No sul de Minas Gerais, a maior região produtora de café do Brasil, nasce o café orgânico e agroecológico Guaií, fruto do trabalho de 20 famílias assentadas do MST no município Campo do Meio.

O assentamento produz café desde 1996, mas há 8 anos começou a fazer a transição para produtos sem insumos químicos, livres de agrotóxicos e sementes transgênicas. Tuira Tule, da direção do setor de produção da regional do Sul de Minas Gerais, explica que a mudança foi estrutural no assentamento. "Para nós produzir de forma agroecologia é muito mais do que a troca de insumos do pacote convencional para o orgânico, é uma outra forma de se relacionar com o campo, com o trabalho", considera.

Tule conta que o trabalho de produção é totalmente familiar e coletivo. O trabalho é feito pela Cooperativa Camponesa e por dois coletivos de mulheres que existem no assentamento, o Olhos D'água e o Raízes da Terra. "A cultura do café é muito exigente de mão de obra, então muitas das nossas famílias ainda trabalham em sistemas de mutirão mesmo que o plantio seja feito de forma individual, mas mesmo no trato e na colheita vão sendo realizados por pequenos mutirões entre as famílias e entre os coletivos", aponta.

Roberto Carlos do Nascimento, assentado do MST, produtor de café, é dirigente da cooperativa que assina a marca do café Guaií. De acordo com ele, todo o processo de produção ocorre dentro do assentamento, com exceção da torra e ensaque respeitando a produção livre de veneno. "Não é permitido uso de produtos químicos no trato dele [café] e nem a utilização de herbicida e qualquer produto que não seja permitido utilizar dentro da produção orgânica e agroecológica", pontua.

Nascimento assegura que um café livre de química é mais saboroso. "Na questão da qualidade do café são os cuidados no manuseio da lavoura e o processo de colheita que influenciam no resultado do café", assegura. Ele ressalta que café orgânico pode sim ter um preço acessível, desde que o produtor tenha tecnologia para otimizar a produção.

É a tecnologia também que permite mais participação das mulheres no processo."Das nossas famílias que nós organizamos, a relação da mulher com a produção de café tem outro tipo de ação. As mulheres estão envolvidas desde o plantio, nos tratos culturais, na colheita e tem mulheres que produzem sozinhas essa cultura", comemora.

Em 2018, segundo ela, a produção de café livre de agrotóxicos e transgênicos somarão 10 mil sacas e mais famílias serão envolvidas no processo que garante formação política e geração de renda.

Fonte:BRasil de Fato em 23 de Fevereiro de 2018 por Juliana Gonçalves, com edição de Anelize Moreira

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