Orgânicos da Bonafrux nas lojas Pão de Açúcar

 

Fortaleza, 28 de Dezembro de 2004 -

Empresa, reconhecida no exterior e que tem o melão como carro-chefe, acerta contrato com o grupo Pão de Açúcar.

Depois de conquistar espaço no exterior, a Bonafrux Agrícola, empresa cearense especializada em alimentos orgânicos, estréia no mercado nacional em 2005 em grande estilo. O primeiro contrato de fornecimento, acertado com o grupo Pão de Açúcar, que tem cerca de 560 lojas da bandeira no País, envolve possibilidade de compra de acordo com a demanda e contempla novos produtos: mamão e tomate, além do melão, carro-chefe dos negócios da empresa.

"Vamos dirigir parte da produção para abastecer as lojas da rede", adianta o presidente da Bonafrux, Luís Flávio Martins Pinto, ao assinalar que a investida embute a chance de expansão de vendas em diferentes regiões do País.

A primeira remessa de duas toneladas do melão amarelo orgânico já chegou as lojas da bandeira no Ceará, confirma o diretor de comercialização do grupo  no Nordeste, Paulo Ângelo Cardillo. "A intenção é levar o produto também para as demais lojas na região", diz. A investida vai iniciar por Pernambuco, abastecendo as unidades Pão de Açúcar e CompreBem e, gradativamente, seguir em direção a outras praças.

A Bonafrux, com área global de 240 hectares no perímetro irrigado Baixo Acaraú, zona Norte do estado, a cerca de 250 quilômetros de Fortaleza, concentra 100% das vendas no exterior e encerra o ano com expansão na área cultivada. Passou de 2 hectares irrigados (pelo sistema de gotejamento) e 40 toneladas do yellow honeydew, resultados de 2003, primeiro ano de produção, para 8 hectares e 160 toneladas do produto no atual exercício. A empresa vem conseguindo produtividade média de 20 toneladas por hectare (no sistema convencional rende, em média, 26 toneladas de melão por hectare, mas pode chegar a 40 toneladas por hectare).

O plantio do melão vai de junho a outubro, quando inicia a colheita que segue até janeiro e Flávio Pinto diz que, pelas características do cultivo orgânico, o desempenho pode ser considerado satisfatório, especialmente para uma empresa com menos de 3 anos de mercado. "O investimento é elevado, exigindo somente em insumos entre 70 toneladas e 80 toneladas por hectare e o custo do produto, posto no Porto para embarque pode alcançar até R$ 50 mil, praticamente o dobro do convencional", adianta.

O lucro também é menor, mas a grande vantagem, de acordo com o empresário, está na qualidade da fruta ? livre de agrotóxicos e mais saudável. "O manejo ecologicamente sustentável ajuda a preservar o meio ambiente, a recuperar áreas degradadas, além de buscar a recomposição com reflorestamento de espécies vegetais nativas."

Os negócios do ano devem render faturamento em torno de ? 80 mil, estima o advogado Flávio Pinto, que dirige a empresa em parceria com os irmãos Eugênio, diretor de produção, e André, administrativo, e emprega de 20 a 40 pessoas, dependendo da época.

Previsões Otimistas A previsão para 2005 é alcançar 14 hectares cultivados e 280 toneladas de melão orgânico. A Bonafrux também vai exportar manga desidratada e geléias de frutas, no próximo ano ? tudo orgânico ? de outras empresas do Nordeste. Para 2006, o empresário espera agregar 6 hectares de mamão havaí, correspondendo a uma produção estimada em 240 toneladas.

"O mercado de orgânicos movimenta cerca de US$ 30 bilhões por ano no mundo e temos condições de ampliar a participação", afirma. A Alemanha e os Estados Unidos são os maiores importadores dos alimentos orgânicos brasileiros, numa lista que inclui frutas como açaí, acerola, banana, caju, maracujá, além de melão. "O consumo dos orgânicos no mercado internacional cresce entre 20% e 30% ao ano", acrescenta Flávio Pinto.

Os negócios projetados para o próximo exercício envolvem vendas ao Reino Unido e Canadá. De acordo com o presidente da Bonafrux, parceria com a
Dínamo, trading cearense que está montando um escritório em Toronto e começa a operar no início do próximo ano, promete impulsionar os negócios. "Já recebemos sinal verde para fornecimento de mamão orgânico, além do melão", adianta o empresário, que espera incluir no processo pequenos produtores do  perímetro irrigado do Baixo Acaraú, garantindo maior volume de exportação. Para esses agricultores, a empresa vai disponibilizar orientação técnica.

Os planos de chegar a 24 hectares, incluindo uma área com novas variedades de frutas, ainda dependem de novos recursos. "Temos cerca de 3 mil horas de   sol por ano e boas condições para incremento da produção", garante. O executivo espera tirar do papel o projeto Implantação de Unidade Experimental de Produção Orgânica de Abacaxi e Sapoti em área irrigada do Nordeste, desenvolvido em parceria com a Embrapa Agroindústria Tropical, empresa baseada em Fortaleza, e Banco do Nordeste do Brasil (BNB), no valor total de R$ 400 mil.

Pelo acordo, assinado em outubro passado, o BNB participa com cerca R$ 41 mil, recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci), enquanto a contrapartida da empresa corresponde a R$ 5 mil, mão-de-obra e a área de cultivo. A liberação da verba deve ocorrer em breve, informa o coordenador do Fundeci, José Maria Marques de Carvalho, ligado ao Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

A participação em feiras internacionais do setor, também faz parte da estratégia de expansão das vendas para 2005. Em fevereiro próximo, Flávio Pinto participa da BioFach - World Organic Trade Fair (Feira Internacional de Negócio de Produtos Orgânicos), no Parque de Exposições de Nuremberg, Alemanha, que ocupa área superior a 33 mil m², reúne cerca de 2 mil expositores de 62 países e recebe cerca de 30 mil visitantes por edição.

O tema principal da feira este ano será o Brasil, informa o executivo, ao assinalar que a investida tem respaldo da Agência de Promoção de Exportações  do Brasil (Apex) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Nacional). "Estamos sempre em busca de novas oportunidades", resume. Em outubro passado, a convite dos organizadores, o empresário foi conferir as perspectivas do setor na I Conferência do Mercado Orgânico, realizada na Holanda.

A empresa investiu cerca de R$ 500 mil em produção e tecnologia para a produção do melão orgânico, mas Flávio Pinto entende que ainda é preciso mais.

A expansão da packing house, específica para frutas orgânicas, em fase final de construção, já indica a necessidade de ampliação.
(Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 13)(Adriana Thomasi)

fonte: Diario do Nordeste , Fortaleza, 28 de Dezembro de 2004


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