Estado criará Fundo de Incentivo ao Biodiesel

Medida faz parte de um projeto de ampliação e diversificação de fontes de energia para fazer face à demanda do Estado. Projeto prevê atração de indústrias

Lúcia Monteiro -

Goiás elevou sua produção de energia em 14% entre 2002 e 2003, como mostra o Balanço Energético do Estado (Bego 2004), relativo a 2003. Mas, para fazer frente a um aumento anual de 8% a 10% no consumo, resultante de um crescimento econômico de 4,5% ao ano, muito mais terá de ser feito.

Além de utilizar todo o potencial de geração de energia hidrelétrica, Goiás vai investir na ampliação e diversificação de fontes de energia, como o incentivo à produção de biocombustíveis. Nos próximos dias, o Estado vai criar o Fundo de Incentivo ao Biodiesel para impulsionar a pesquisa, que fará parte de uma política industrial para o setor.

Consumo

O balanço estatístico mostra que Goiás só importa os derivados de petróleo e é auto-suficiente quanto aos outros energéticos consumidos no Estado, exportando 63% da energia hidrelétrica que produz. O superintendente de Energia e Telecomunicações da Secretaria de Infra-Estrutura do Estado, José Tavares de Sousa, lembra que Goiás produz 55% de energia renovável e 45% de não-renovável. A auto-suficiência na produção passou de 71,% em 1998 para 82% em 2003. Mas o consumo de energia elétrica no setor industrial goiano cresceu 34,3% e no setor agropecuário aumentou 40% nesse período.

O secretário de Infra-Estrutura de Goiás, Leonardo Vilela, lembra que a energia é um insumo essencial para o desenvolvimento e melhoria dos indicadores econômicos e sociais do Estado. “Para cada ponto porcentual de crescimento econômico, são necessários dois pontos em crescimento de geração de energia.” O óleo diesel é a energia mais importada pelo Estado, pois o consumo cresceu 50% nos últimos 15 anos. O setor de transportes foi responsável por 39% do consumo final energético em 2003.

Leonardo Vilela lembra que uma das soluções é aumentar a produção de biodiesel, por meio de um programa de atração de indústrias para o Estado. Para isso, esta semana enviará ao governador Marconi Perillo uma sugestão de projeto de lei para a criação de uma política industrial do setor, baseada em incentivos fiscais, redução de carga tributária e concessão de crédito. “Hoje, temos matéria-prima e mercado consumidor. Só faltam indústrias.”

Energia elétrica

A expectativa é que a liberação para a instalação das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) também elevem o fornecimento e a qualidade da energia que chega em várias localidades do Estado. Até 2008, elas devem agregar mais 400 megawatts. Segundo Leonardo Vilela, a Secretaria de Infra-Estrutura acompanha a liberação das licenças ambientais numa tentativa de acelerar os processos sem prejuízo às exigências. Ele lembrou que a construção do Gasoduto Brasil-Bolívia, que trará o gás natural até Goiás, deve ser licitada até o final de junho. “O rápido processo de industrialização do Estado exige investimentos constantes.”

Leonardo Vilela lembrou ainda que este ano a Companhia Energética de Goiás (Celg) vai investir cerca de R$ 500 milhões na expansão do fornecimento de energia, com a construção de subestações e linhas de transmissão. Com o Programa Luz no Campo, a meta é levar energia a todas as propriedades rurais até 2006

fonte: O POPULAR em 19/5/2005

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