Programa do Biodiesel pode desandar, diz técnico

 

 

SÃO PAULO, 20 de março de 2006 - O Programa Nacional de Biodiesel pode ´desandar´ caso a prática de abastecer caminhões e máquinas agrícolas com óleos comestíveis em vez de biodisel se alastre. A preocupação é do presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel, Carlo Lovatelli.

"Tenho medo que desande. Nós temos muitas notícias de gente que usa óleo refinado como combustível. O sujeito percebe que isso funciona e prefere gastar com a lavagem dos motores e pagar bem menos pelo combustível", disse Lovatelli hoje durante seminário sobre biocombustível promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Segundo ele, essa é uma das distorções que desafiam o biodiesel. A outra é a falta de uma tributação adequada. Os custos elevados e a falta de incentivos são apontados como as maiores dificuldades do setor.

Na visão do vice-presidente de Operações da Dedini Indústrias de Base, José Luiz Olivério, ainda falta ´equacionar a viabilidade econômica do biodiesel´. "Hoje, o custo do biodiesel é maior do que o diesel, assim não há competitividade".

O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado sobre o biodiesel é mais alto. De acordo com dados do Sincopetro, o ICMS sobre o biodiesel varia entre 17% e 18%, enquanto o do diesel varia de 12% 1 18%.

Para Lovatelli, a dificuldade maior é negociar com os estados a redução na alíquota. "Enquanto as regras não estiverem bem definidas, o programa não é viável", afirmou.

(Paulo de Araujo - InvestNews)

Fonte: InvestNews em 20/03/06

 

 


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