Tocantins incentiva plantio de batata-doce para álcool

 

  Mônica Scaramuzzo

Pequenos produtores de Tocantins começaram a plantar batata-doce para a produção de álcool. Uma parceria entre a Universidade Federal de Tocantins (UFT), Secretaria da Agricultura do Estado (Seagro) e o Instituto Ecológica está estimulando esses agricultores familiares a investir na herbácea como forma de garantir renda para cerca de duas mil famílias.

As pesquisas de variedades de batatas-doces próprias para a produção de álcool começaram há quase 10 anos pelo professor Márcio Silveira, da UFT.

"Trabalhamos no desenvolvimento de variedades de batata-doce mais produtivas e voltadas para o álcool", disse Silveira. Na Europa, as pesquisas são voltadas para a batata inglesa. "Mas no Brasil o plantio é mais propício para a batata-doce, adaptada ao clima tropical", afirmou.

Segundo Silveira, a produtividade média de batata-doce no país é muito baixa, em torno de 12 toneladas por hectare. "Mas as variedades desenvolvidas na universidade para o álcool atingem até 40 toneladas por hectare", disse.

A produção de álcool extraído da batata-doce será voltada para as indústrias de cosméticos, sobretudo. "Temos condições de produzir o combustível, mas o álcool industrial paga melhor", disse Silveira.

A UFT mantém em suas instalações uma mini-usina piloto para o processamento dessas batatas para a produção de álcool. Silveira afirmou que a produção de álcool com batata-doce atinge 6 mil litros por hectare. O mesmo hectare com cana garante uma produção de 7 mil litros de álcool.

É inadequado comparar a batata-doce com a cana, mesmo porque a produção com cana-de-açúcar tem expertise de anos e anos", disse Silveira.

Mas as vantagens com a batata-doce não devem ser desprezadas. "Há dois ciclos de batata-doce por ano, e a cultura é barata, própria para atender aos pequenos agricultores", afirmou.

Naiara Pacheco Ayres, do Instituto Ecológica, e coordenadora do programa "Batata-doce: bioenergia na agricultura familiar", afirmou que o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) deverá financiar o projeto de duas mini-usinas que serão construídas para o processamento da batata-doce produzida pelos agricultores.

Segundo Ricardo Pires, diretor de desenvolvimento rural e tecnológico da Seagro, o Estado tem recebido visitas de empresários interessados em investir em usinas de álcool e de biodiesel.

O plantio de grãos em Tocantins ocupa uma área de 1,2 milhão de hectares, dos quais 700 mil hectares são destinadas à soja. "A cana ainda ocupa uma área muito pequena no Estado", disse Pires.

Segundo ele, o projeto prevê a implantação de mini-usinas para produção de álcool, a partir de maio, nas cidades de Porto Nacional e Pium.

"Os resíduos da batata-doce podem ser aproveitados também para a produção de ração animal."

  29/01/2007


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