USP TESTA BIODIESEL COM ÓLEO DE PLANTAS BRASILEIRAS EM VEÍCULOS E LOCOMOTIVAS

O biocombustível produzido na USP - Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto já está sendo testado em carros, caminhões, tratores, geradores de energia elétrica e locomotivas. O biodiesel produzido no Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (LADETEL), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras resulta da reação química entre o álcool de cana e óleos vegetais. O produto também está sendo testado em empresas e instituições de pesquisa, podendo usar plantas oleaginosas brasileiras e óleos já utilizados em frituras.

O coordenador do projeto, professor Miguel Dabdoub, explica que o biodiesel é produzido por intermédio reação de óleos vegetais com um álcool (metanol ou etanol), sempre na presença de um catalisador. "O produto desenvolvido aqui na USP usa o álcool etílico, obtido da cana-de-açucar, no lugar do metanol. O álcool de cana é uma fonte de energia renovável e o Brasil é seu maior produtor mundial, além de dominar a tecnologia de industrialização", explica. Dabdoub explica que o metanol é de origem fóssil tóxico e o País importa 50% do que consome atualmente.

O professor conta que o Laboratório reduziu o tempo de produção do biodiesel. "A reação foi realizada em 30 minutos, enquanto o processo tradicional leva seis horas. Com a nova técnica a produtividade aumentou doze vezes", diz. Em novembro, o LADETEL apresentou uma microunidade produtora de biodiesel etílico na exposição 'O biodiesel e a inclusão social', realizada no Congresso Nacional em Brasília (DF). A microunidade produz 90 litros de biodiesel por hora, com custo em torno de R$ 35 mil. Outra, com valor estimado em R$ 370 mil, que produz biodiesel pelo processo tradicional (usando metanol), e que também foi exposta, obteve 50 litros de combustível por hora usando óleo de babaçu.

Extrativismo

Miguel Dabdoub relata que o LADETEL já utilizou onze variedades de óleos vegetais (soja, amendoim, girassol, algodão, milho, canola, mamona, pequi, macaúba, babaçu e dendê) no biodiesel, além dos óleos de fritura. "Para estimular a economia de regiões pouco desenvolvidas do País, como o Vale do Ribeira e o Pontal do Paranapanema, a macaúba pode ser empregada", aponta. "No Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, o biodiesel poderia ser obtido do pequi. Nas regiões Norte e Nordeste seria feito com óleo de mamona, babaçu, amendoim e dendê."

Um convênio estabelecido entra a USP, Faculdades Integradas de Diamantina e uma fazenda do Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais) tem o objetivo de desenvolver a coleta extrativista de pequi. "Inicialmente, foram plantados 1.000 hectares de árvores", afirma o professor. "De cada hectare plantado podem ser obtidos até 3.200 litros de óleo de pequi, enquanto a soja rende cerca de 400 litros de óleo por hectare", aponta. O LADETEL também pesquisa a reutilização do óleo usado em frituras, utilizando material dos restaurantes da USP e das lanchonetes da rede Mc Donalds.

Veículos

O Laboratório também fechou acordo com empresas privadas, entidades e instituições de pesquisa para testar desempenho, consumo e potência do biodiesel feito com álcool de cana. O combustível foi testado nas misturas B20 (mistura de 20% de biodiesel e 80% de diesel), B30 (30% de biodiesel) e B100 (100% de biodiesel) em tratores e veículos de passeio, como no caso dos automóveis cedidos pelas montadoras francesas PSA Peugeot-Citroën. "Também fazemos ensaios com motores cedidos pelas montadoras na Escola de Engenharia da USP de São Carlos (EESC), medindo rendimento, consumo, potência e emissões, além de testes em três bancadas dinamométricas", explica Miguel Dabdoub. "Os mesmos ensaios são feitos de forma paralela na sede da PSA Peugeot-Citroën, na França."

Experiências com locomotivas estão sendo executadas pela ALL - América Latina Logística, concessionária ferroviária que atua no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Argentina. "Inicialmente, foram realizados, com sucesso, testes laboratoriais para medir consumo, potência e emissões", afirma Dabdoub. A segunda fase envolverá o uso do combustível na forma de B25 (25% de biodiesel e 75% de diesel) em locomotivas. "Dependendo dos resultados, a ALL avaliará a possibilidade de usar biodiesel em toda a frota", aponta o professor.

Mais informações podem ser obtidas no site www.usp.br/agen . (Agência USP)

 
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