Preferência por orgânicos chega ao mercado da beleza

Empreendedores apostam em cosméticos e produtos de cuidados pessoais que respeitam a natureza

Niágara Braga

A gestora financeira, Verônica Sanford, 26 anos, sempre gostou de maquiagem e da alimentação saudável. Em junho de 2015, durante uma feira em São Paulo, ela conheceu os cosméticos orgânicos. A empolgação com os produtos foi tanta que, no fim do mesmo ano, abriu a Capim Eco Cosméticos, no Shopping Paseo, na Zona Sul de Porto Alegre. O investimento ficou em R$ 80 mil.

O mais recente levantamento realizado pelo Euromonitor International aponta um aumento de 7,4% na produção de artigos de beleza orgânicos e naturais entre os anos de 2010 e 2012 no Brasil. A loja, que agora chama-se La Florida, aposta nesse potencial. A proposta é unir a bandeira dos orgânicos com a elegância.

"Queremos desmistificar o natural como algo grosseiro ou rústico. Pode ser natural e chique ao mesmo tempo", explica Verônica.

"É algo em que realmente acredito: precisamos saber explorar os benefícios da natureza com consciência e sabedoria, pois podemos encontrar tudo nela, da beleza à medicação. O planeta está sendo incessantemente poluído e destruído, e estamos fazendo isso com nossos corpos também", acrescenta.

A maioria dos cosméticos, artigos para higiene e cuidados pessoais da La Florida são industrializados, mas chegam a 100% de organicidade. Também são oferecidos serviços de maquiagem, limpeza de pele e aplicação de máscara de argila como teste para o comprador.

Verônica, que sempre trabalhou como empregada, diz que abriu o negócio para ser feliz. Durante sua formação, era muito motivada a empreender, e tentava fazer isso dentro da antiga empresa. "Eu me esforçava ao máximo, mas não era recompensada", lembra.

os 26 anos, em uma nova fase da vida, a empresária deixa claro seu estado de espírito: "mais feliz impossível". Ela confessa, no entanto, que, por ser a única proprietária, aprende constantemente.

"Já bati muito a cabeça, principalmente com a parte financeira. Hoje, estou conhecendo a minha empresa." Verônica também anuncia que está à procura de sócios para investir ou agregar no seu negócio. "Acho interessante trocar ideias e experiências. Acredito que isso só acrescenta", diz.

Sobre o mercado de produtos naturais, crê que conseguirá preencher lacunas. "O segmento de orgânicos está crescendo, e hoje Porto Alegre está mal atendida em relação aos cosméticos", considera.

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De acordo com a Ecocert, organismo de inspeção e certificação de produtos, para um cosmético ser considerado “Natural” ou “Orgânico”, deve possuir no mínimo 95% do conteúdo total de matérias-primas naturais. Do contrário, o cosmético é considerado “À base de produtos naturais”, ou seja, contém matéria-prima natural, mas também possui ingredientes proibidos para produtos naturais.

Após sete anos trabalhando em uma área que não a satisfazia, a economista Fátima Birck, de Cruzeiro do Sul, deixou a segurança da vida de bancária para buscar uma nova perspectiva. Encontrou na filosofia e medicina milenar da Ayurveda sua nova profissão. Aos 31 anos, atua como terapeuta e empreendedora com sua marca de produtos naturais, a Sádhana Especialidades Ayurvédicas.

Com um ponto de venda parceiro no bairro Auxiliadora - a Casa Leela (onde Fátima atende seus pacientes) -, a mercadoria mais vendida é a manteiga orgânica Ghee. O item pode ser utilizado na culinária ou até como pomada.

Além desse carro-chefe, possui mais de 42 artigos naturais. Entre eles, mistura para higiene bucal, creme antiacne, óleos, temperos e o desodorante de leite de magnésia com essência de hortelã.

Fátima encontrou a Ayurveda quando estava insatisfeita no banco. Um ano depois, já havia largado a rotina corporativa e se tornado terapeuta e empresária.

"Eu sempre quis fazer alguma coisa que ajudasse as pessoas", diz.

Ela começou a vender a manteiga para ser usada como complemento da terapia ao perceber que as pessoas não conseguiam fazê-la.

Os números, no entanto, surpreenderam. A primeira receita rendeu 10 vidrinhos de 200 gramas e hoje chega a vender 20 quilos por mês.

"Esse lado comercial ainda está dentro de mim, dentro do meu perfil Pita. Pessoas de Pita tem facilidade de fazer as coisas, de empreender, são bons líderes e executivos", afirma.

Fátima conta que tudo ocorreu de forma natural. A mudança para Porto Alegre e sua entrada como terapeuta foram a alavanca para aumentar a gama de produtos. "Percebi que aqui tinha muita demanda, então comecei a fazer mais produtos", explica. Agora, a terapeuta está com foco nas vendas, otimizando seu site e implantando sua loja de e-commerce.

"Pessoas do Brasil inteiro fazem pedidos pelas minhas redes sociais e eu mando por correio", afirma, sobre as encomendas. Hoje, com perspectivas promissoras, comemora suas escolhas.
"Não consigo me imaginar fazendo outra coisa."

A Benjamim Primores Naturais é a marca de cosméticos produzidos artesanalmente pela empreendedora Luísa Benjamim, 31 anos, de Porto Alegre. Hoje, participa semanalmente de feiras (na Terra Íntegra, em Ipanema; no Campus do Vale, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Ufrgs; e no Centro de Estudos Budistas Bodisatva, em Viamão), e é convidada para eventos particulares.

O cerne do envolvimento com os cosméticos naturais de Luísa se assemelha ao de Verônica, da La Florida, pois também já era adepta da alimentação saudável. Seu desejo de trabalhar com a área, porém, cresceu junto a sua inserção na filosofia Rastafari, que valoriza tudo o que é natural. "Vendo algo que faz bem, que eu acredito. O creme rejuvenescedor, por exemplo, rejuvenesce porque nutre e dá saúde à pele e não só mascara", explica.

Formada em Ciências Sociais pela Ufrgs, antes da Benjamim, ela já empreendia com sua própria editora de livros. Mas resolveu deixar o negócio para se dedicar exclusivamente à produção dos orgânicos, devido à grande demanda.

No começo, ela produzia em pequenas escalas. Mas, em 2014, com o crescimento dos pedidos, resolveu profissionalizar a linha e criar a marca. "Precisava me dedicar exclusivamente a isso, para poder expandir e desenvolver novos produtos", conta. Hoje, vende em média dois quilos de desodorante natural por mês, além dos outros produtos. Com a quantia, consegue se sustentar tranquilamente, diz ela. "Tenho ex-colegas que seguiram na academia, e agora, com doutorado, ganham praticamente o mesmo que eu. Mas se eu estivesse no lugar deles, não estaria feliz", afirma.

Luísa deseja investir mais nos cosméticos, especializando-se em outras técnicas, e não cogita deixar o empreendedorismo. "Para o Rastafari, ter o próprio negócio é uma forma de liberdade. Ainda que eu mude de área, pretendo sempre continuar autônoma."

fonte:Jornal do Commercio em 09-03-2016


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